Eugenia uniflora L.

               A Pitangueira, que em tupi/guaraní significa "vermelho-rubro", é uma frutífera de clima tropical e subtropical. Muito comum no Nordeste brasileiro ela é encontrada desde a fronteira com as Guianas, ao norte do País, até o estado de São Paulo. Apesar do aroma e sabor exóticos da polpa do fruto o plantio da pitangueira ficou restrito apenas aos pomares domésticos.

               É uma pequena árvore originária do Brasil onde existem várias denominações populares dadas à pitangueira, a saber, pitanga, pitangueira, pitangueira-vermelha, pitanga-do-mato, pitanga-rósea, pitanga-branca, pitanga-roxa. Nas regiões subtropicais, a pitangueira alcança 2m a 4m de altura mas, vegetando sob ótimas condições de clima e de solo, alcança alturas acima de 8m, quando adulta. Possue tronco irregular, muito ramificado, de coloração avermelhada e casca que pode desprender-se ocasionalmente.

               As folhas são pequenas, ovais avermelhada quando jovens e posteriormente de coloração verde-escuras e brilhantes, quando já formadas quando maceradas exalam aroma forte e característico. As flores brancas e suavemente perfumadas, são hermaforditas e melíficas.

               O fruto é uma baga arredondada, achatado nas extremidades com sulcos longitudinais, de coloração alaranjada a vermelho-intenso na maturação. Com 1,5 a 3,0cm de diâmetro, tem casca muito fina; a polpa de coloração vermelha, é carnosa, envolvendo uma semente de coloração esverdeada. A polpa do fruto maduro é macia, suculenta, doce ou agridoce, aromática, saborosa, perfumada. A maturação do fruto dá-se em 5 a 6 semanas após o início da floração.

               Não se conhece variedades definidas de pitangueiras no Brasil; entre plantas nota-se diferenças quanto a forma, tamanho, cor e sabor do fruto. Encontra-se plantas com frutos cor laranja, com cor vermelha e com frutos encarnados, quase negros, daí a grande variedade de nomes populares. Dizem que a relação entre o tamanho do fruto e o da semente apresenta variações, mas estes caracteres não são propagados pela multiplicação gâmica pois perdem-se, ou tendem a perder-se com o plantio consecutivo. Obs.: A Pitangueira-da-mata (Stenocaly sp), mas não é uma variedade e sim outra espécie.

               A cultura é usada como "planta ornamental" em parques e jardins e para formação de cercas vivas. Do seu caule utiliza-se a madeira para tornos, cabos de ferramentas e implementos agrícolas, bem como para mourões, esteios e lenha; o cerne escuro do tronco de plantas velhas tem utilidade em marcenaria de luxo.

               Os primeiros plantios em escala comercial da pitangueira aconteceram na região do município de Bonito no Agreste pernambucano e hoje alcançam já 150 hectares. Estima-se que o estado de Pernambuco produz entre 1300 a 1700 toneladas de frutos da pitangueira por ano. Parte dessa produção é distribuídas pela CEASA para bares, restaurantes, sorveterias e hotéis da capital pernambucana.

               A planta desenvolve-se bem nas regiões de climas quentes e úmidos, com boas chuvas ao longo do ano. Sob condições de irrigação pode ser cultivada em áreas semi-áridas do Nordeste. Faixa de temperatura de 23-30ºC, chuvas anuais em torno de 1,500mm bem distribuídos e umidade do ar em torno de 80% promovem o bom desenvolvimento da pitangueira. Não é exigente quanto ao solo desenvolvendo-se bem em solos com pH entre 6,0 a 6,5, leves (arenosos), silico-argilosos e até argilo-silicosos desde que sejam profundos, drenados, férteis, planos a levemente ondulados. A planta gosta de terrenos com altitude entre 600m. e 800m.

               A propagação pode ser por sementes (via sexuada) ou por enxertia (via assexuada).

               Na propagação via sexuada utiliza-se a semente para efetuar os plantios; é o método comum de propagação para pequenos plantios em pomares domésticos. Estas sementes devem ser vigorosas, obtidas de frutos sadios, grandes, encontrados em plantas vigorosas e de boa produção. Estas sementes devem ser lavadas para eliminação de polpa do fruto e postas a secar sobre jornal e à sombra. Os recipientes utilizados para a produção das mudas devem ser sacos de polietileno, dimensões 12cm x 16cm ou 18cm x 30cm, cheios de mistura de terra com esterco de curral na proporção de 3 partes de terra para uma de esterco (3:1) ou terra com esterco de galinha (6:1). Semeia-se 2 a 3 caroços por recipiente, irriga-se e cobre-se com palha. As sementes devem germinar entre 20-25 dias quando retira-se a cobertura de palha. A partir daí a proteção da plantinha é feita com cobertura alta, de preferencia em canteiros cobertos com telas apropriadas. Quando a mudinha alcançar 5 a 10cm de altura deve-se desbastar para deixar a mais vigorosa. As mudas estarão aptas ao plantio no campo decorridos 5 a 6 meses, ou seja, quando atingirem aproximadamente 25cm de altura

               Na propagação via assexuada utiliza-se seus ramos para multiplicar a planta; usa-se o método de alporquia e/ou o método de enxertia (garfagem em fenda cheia). Este método é indicado para obtenção de mudas que possam assegurar plantios com uniformidade de indivíduos, ou seja, todas as plantas apresentam características idênticas de desenvolvimento, precocidade, produção, entre outras.

               Na alporquia, escolhe-se um ramo da planta com pelo menos 1cm de diâmetro e 60 a 80cm de comprimento. Retira-se completamente a casca de 2 a 3cm do ramo a 15cm de distância da união com caule. Cobre-se com terra úmida adubada com esterco de curral bem curtido e, se possível, pó-de-xaxim, e amarra-se com saco transparente. Em 55 a 65 dias o local descascado começará a emitir raízes; quando estas começam a se desenvolver corta-se o ramo 2cm abaixo e transfere-se ramo com raízes para saco plástico com terra estercada para estimular desenvolvimento da muda. Após 3 ou 4 meses efetuar plantio em local definitivo.

               Na enxertia, utiliza-se porta-enxerto produzidos com sementes vigorosas (reler propagação sexuada) e pontas de ramos (garfos) de plantas selecionadas contendo as características desejáveis. Sugere-se que esses enxertos sejam adquiridos de produtores de mudas credenciados por órgãos oficiais.

               Escolhido o local para o plantio definitivo, deve-se arar e gradear o terreno e, de acordo com a análise química do solo, efetuar a calagem incorporando-se ao mesmo calcário dolomítico para que o pH fique em torno de 6,0 a 6.5. Esta calagem deve ser efetuada 3 meses antes do plantio das mudas. O espaçamento entre as plantas deve ser de 4,0 x 4,0m ou de 4,0 x 5,0m.

               As covas devem ter dimensões de 0,40 x 0,40 x 0,40m e o adubo deve ser misturado à terra dos primeiros 15cm de altura na abertura da cova. Sessenta dias antes do plantio mistura-se 10 litros de esterco de curral e as quantidades de adubos químicos indicados pela análise química do solo. O plantio é efetuado no início da estação chuvosa; o saco é retirado e a muda com torrão é colocada no centro da cova de maneira que o colo da planta fique 5cm acima da superfície do terreno. Logo após o plantio, irrigar com 10-15 litros de água e cobrir o solo com palha ao redor da muda.

               O pomar deve ser mantido a limpo através de capinas e, no inverno, roçagem nas entrelinhas para evitar concorrência de ervas daninhas. Devem ser efetuadas podas nas plantas, bem junto ao troco, para a eliminação de ramos laterais. Estas podas devem ser efetuadas nos primeiros anos, de modo que a copa esteja formada a partir de 40cm de altura do solo. Adubações em cobertura são feitas, anualmente, sob copa da planta, com leve incorporação aplicando-se 10Kg de esterco (início estação chuvosa) e adubos químicos (NPK), de acordo com a análise química do solo que também deve ser efetuada anualmente.

               A partir do 3º ano de vida e 50 dias após a floração inicia-se a colheita da pitangueira; os frutos maduros devem ser colhidos no pé, à mão delicadamente, e colocados em caixas apropriadas e abrigadas do sol (à sombra sob cobertura de lona). A planta entra em plena produção aos 6 anos de idade, produzindo duas safras anuais. Uma pitangueira pode produzir de 2,5 a 3,0Kg de frutos/árvore/ano em pomares não irrigados. Em áreas irrigadas o pomar pode atingir a produtividade de até 9,0t/ha/ano.

A composição de 100 gramas de polpa é:

calorias
38
proteínas
0,30g
cálcio
10mg
fósforo
20mg
ferro
2,30mg
vitamina B2
0,03mg
vitamina C
14mg

               Além de ser consumida "in natura", criou-se tambem inúmeras receitas de sucos, refrescos, geléias e doces e licores. Suas folhas contém um alcalóide denominado pitanguina (sucedâneo de quinino) e na medicina caseira os seus chás e banhos são utilizados para tratamento de febres intermitentes. Os chás tem uso contra diarréias persistentes, contra afecções do fígado, em gargarejos nas infecções da garganta, contra reumatismo e gota. Seus frutos são tidos como digestivos se ingeridos após as refeições.

               Por ser uma fruta pouco cultivada em escala comercial, não se encontra pitangas com freqüência nos mercados e feiras livres do Sul e do Sudeste do país, sendo sua distribuição nas grandes cidades ainda bastante irregular. No entanto, algumas indústrias de sucos e sorvetes, sediadas no Nordeste, já possuem pomares de pitangueiras cujos frutos se destinam à produção do suco de pitanga engarrafado e da polpa da fruta congelada