H O M E

Malpighia emarginata D.C

                    A acerola ou cereja-das-Antilhas, pertencente à família Malpighiaceae, é uma pequena fruta do formato de uma pitanga, originaria das Antilhas, cujo teor de vitamina C chega a ser de 50 a 100 vezes mais do que o teor de outras frutas, tais como os citrus e a goiaba, tradicionalmente conhecidas como fontes naturais de vitamina C. Ou seja, a acerola contém em torno de 2.500 a 4.600 miligramas de ácido ascóbico (vitamina C) por 100 gramas de polpa. Devido a estes teores elevados de vitamina, esta fruta está se tornando uma alternativa natural de vitamina C, principalmente para as populações mais carentes da região semi-árida do Nordeste brasileiro.

                    Pela concentração de ácido ascórbico que contém, a acerola não é apenas indicada na manutenção da saúde, como também evita a debilidade, a irritabilidade, a fadiga, a perda de apetite, além de diminuir a ocorrência de doenças infecciosas e de dores musculares e articulares. Além disso, pode ser aplicada no combate a gripes e afecções pulmonares, no controle de casos com tendências a hemorragias nasais e gengivais e como auxiliar nos tratamentos de doenças do fígado. E, por tudo isso, a acerola é indicada na dieta de lactentes, crianças e adolescentes, de gestantes e nutrizes e de organismos envelhecidos, desnutridos ou debilitados.

                    Estas características demonstram o seu atributo para ser aproveitada comercialmente, o que já é comprovado em alguns estados nordestinos, onde as instituições de pesquisas e agro-industriais estão investindo em pesquisas, cultivo, processamento e comercialização.


                    A acerola pode ser consumida em diferentes formas, tais como : sucos, sorvetes, geléias, licores, conservas, xaropes, e até capsulas de vitamina C. As perspectivas de cultivo no Brasil são promissoras, uma vez que países como o Japão e Estados Unidos e outros da Europa demonstram interesse pela fruta ,tendo-se notícias de que já está ocorrendo exportação da mesma. No Nordeste brasileiro e em algumas localidades do interior paulista, muitos hectares já estão com suas aceroleiras produzindo para suprir a demanda do mercado externo, em franca expansão. Isto porque a acerola encaixa-se perfeitamente na tendência mundial, iniciada durante a década de 80, da procura por produtos naturalmente saudáveis.

                    Alem das perspectivas de mercado e de ser uma planta exótica, praticamente não apresenta limitações de cultivo, podendo ser cultivada em climas tropicais e subtropicais e em quase todos os tipos de solos. É um arbusto de porte médio que pode chegar até 3 m de altura, com tronco que se ramifica desde a base. Possue uma copa densa com folhas pequenas de coloração verde-escura e brilhante. As flores estão dispostas em cachos de coloração rósea a violeta esbranquiçada.


          A acerola pode ser propagada tanto por via sexuada (sementes), como por via assexuada(estaquia, enxertia, alporquia e mergulhia). A propagação por sementes tem sido a mais utilizada, apesar de apresentar uma série de inconveniências: segregação hereditária, baixo percentual de germinação , em torno de 20 a 30%, devido a má formação e/ou ausência de embriões e a incompatibilidade na polinização.


          O maior uso de sementes está também ligada à grande demanda de mudas, constatada entre os viveiristas, não se podendo obter, assim, mudas propagadas vegetativamente em tempo hábil. A formação de mudas por sementes pode ser realizada em canteiros, semeando-as em sulcos distanciados 10 cm um do outro à profundidade de 1 cm. As sementes, retiradas de frutas maduras, devem ser lavadas e secas à sombra. Após a germinação, o que ocorre entre 20 e 30 dias. As mudinhas devem ser transplantadas para recipientes quando atingirem 10 a 15 cm de altura.

                    A propagação assexuada é o ideal para a obtenção de plantas mais produtivas, uniformes e precoces e quando se quer assegurar as características das plantas selecionadas. Quando propagadas através de enxertia ou de estaquia, que são os métodos mais indicados, a acerola já inicia a primeira produção aos doze meses de idade. Deve-se ter o cuidado de utilizar estacas herbáceas ou semi-lenhosas com 2 pares de folhas e dois internódios, de até 1 cm de diâmetro e de 15 a 20 cm de comprimento. Estas estacas devem ser enterradas até 1/3 de seu comprimento no leito de enraizamento, ou em recipientes apropriados, e em câmara de nebulização, e, decorridos 2 meses, já se apresentam enraizadas, devendo permanecer aí até os 4 meses, ocasião em que são levadas para o campo.

                    Quando a região apresenta pluviosidade regular, o plantio pode ser efetuado em qualquer época do ano. O espaçamento entre mudas de pé franco ou de enxertia é de 4 em 4 metros. Entre fileiras, o espaçamento fica de acordo com os tratos culturais a serem empregados, podendo variar de 4 a 6 m. As covas devem apresentar as dimensões de 50 x 50 x 50 cm, sendo conveniente realizar antes do plantio, adubação orgânica e mineral de acordo com as sugestões contidas na análise química do solo.

                    Esta planta pode também ser cultivada individualmente, em quintal, horta ou jardim, que alem do aspecto ornamental, fornece frutos durante quase o ano inteiro (4 a 7 colheitas anuais). No mundo todo, a acerola está sendo amplamente consumida in natura ou em sucos processados a partir da própria fruta congelada; em geléias, marmeladas, compotas, licores ou refrescos.

                    Além disso, sua polpa é largamente utilizada no enriquecimento vitamínico do suco de outras frutas, onde o ácido ascórbico atua também como anti-oxidante e preservante natural, e a pasta de seus frutos verdes é matéria-prima para a fabricação de cápsulas de vitaminas, para aqueles que acham o sabor da fruta ácido demais