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FRUTA TROPICAL COM CRESCENTE VALOR DE MERCADO

                Encontrada em quase toda parte do Brasil, a cajazeira (Spondias lutea) é uma frutífera pouco conhecida e pouco estudada, tendo como centro de origem o Continente Americano. É chamada vulgarmente na Amazônia como "taperebá", nos estados do sul como "cajá mirim" e no Nordeste brasileiro simplesmente como "cajá". Em espanhol é chamada "jobo" ou "ciruela amarilla" e em inglês "hog-plum" ou "mexican-plum". A planta pertence ao gênero onde estão incluídas outras espécies, tais como o umbu (Spondias tuberosa), a siriguela (Spondias purpurea), a cajá-manga (Spondias cytherea) e a cajarana (Spondias sp).

               Estas espécies assumem relevada importância para exploração, principalmente no semi-árido nordestino, devendo destacar o valor científico-social-conômico,onde o binômio preservação ambiental-produção voga um importante papel na fixação do homem à terra e à oferta de frutos ricos em vitaminas e sais minerais. No Brasil, a cajazeira é distribuída em diversas regiões, sendo comum, conforme a literatura, em estado silvestre e sub-espontâneo nas matas de terras firmes ou de várzea da Amazônia.

               No Nordeste é bastante conhecida e sempre encontrada em estado nativo, sem maiores cuidados de cultivo, em quintais ou sítios, na maioria das vezes delimitando áreas, como cercas vivas, plantados através de estacas que formarão árvores posteriormente. O cajá é consumido e utilizado sob diversas formas tanto para o consumo ao natural, na fabricação de picolés, sorvetes, compotas, bebidas alcoólicas, sendo ainda suas cascas, folhas, flores e galhos utilizados na medicina caseira.

               As folhas, quando trituradas e mascadas, podem resultar num excelente medicamento para curar lesões e ferimentos. Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará descobriram que as folhas também têm propriedades antiviral, quando usadas na forma de extrato, principalmente contra o vírus da herpes. O tronco da planta é disputado pelas indústrias de curtume, devido sua alta concentração de tanino.

               As excelentes qualidades organolépticas do fruto faz com que seja, atualmente, após a graviola, a fruta tropical mais procurada e utilizada no processamento de suco. O cajá tem despertado interesse não apenas para o mercado regional, mas também para outros locais do país, onde a fruta é escassa. A árvore chega a atingir até 25 metros de altura, é frondosa, casca espessa, acinzentada, com fraturas longitudinais.

               O fruto é uma drupa ovóide ou oblonga, medindo até 6 cm de comprimento, com epicarpo (casca) amarelo vivo, de fácil remoção. O mesocarpo (polpa) é bastante suculento, também de cor amarelo e muito aromático. Proporcionalmente o fruto é composto de 13% de casca, 57% de polpa e 30% de caroço, em matéria fresca, ou seja, dados obtidos utilizando-se o fruto maduro "in natura". Dado aos poucos estudos realizados no sentido de racionalizar o cultivo da cajazeira, fazem com que a produção seja ainda pequena, em relação ao que seria necessário para atender ao setor agro-industrial, posto que os frutos são oriundos de plantas nativas, dispersos na região e com grande aproveitamento para o consumo ao natural.

               O comportamento fenológico da planta é similar as outras do gênero Spondias. A queda das folhas inicia-se em agosto e em setembro já se encontra plantas totalmente desfolhadas. Esta perda de folhas é característica de plantas xerófilas (resistentes à seca), e é um mecanismo que evita a perda d'água nas épocas de estiagens. As novas brotações surgem em meados de outubro. Da floração ao fruto maduro decorre, em média, 4 a 5 meses.

               A propagação da planta feita por sementes apresenta a desvantagem de induzir um porte alto à planta, a indesejável demora para o início da frutificação, a incerteza na qualidade dos frutos e outros aspectos que dificultam o planejamento das técnicas de produção e colheita. Neste sentido, é mister desenvolver pesquisas que redundem na obtenção de variedades com características agronomicamente desejáveis.

               Um outro meio de propagar a cajazeira é através de estacas (galhos), pois o agricultor, de um modo geral, corta grandes pedaços, que chega a destruir parcialmente a planta, na certeza de um enraizamento e produção mais rápida. Mas, em se tratando de produção racional de mudas, o ideal é utilizar pequenos pedaços (galhos) da planta com diâmetro entre 3 a 5 cm, e coletar na época em que a planta esteja sem folhas, pois é nesta fase que a planta está em repouso vegetativo e os ramos com reservas. As estacas são colocadas em canteiros ou em sacos com substratos da região, e após o enraizamento, estão aptas ao plantio no campo. Ocorre também o surgimento de plantinhas em torno da planta, oriundas de brotações das raízes. Estas plantinhas devem ser coletadas cuidadosamente e acondicionadas em sacos plásticos para posterior plantio.

               Embora a cajazeira se propague por estes meios comentados anteriormente, o mais recomendado é através do processo de enxertia por garfagem, que além da vantagem da precocidade na produção, pode reduzir o porte da planta, facilitando os tratos culturais e a colheita. Para a utilização da enxertia como via de propagação, faz-se necessário a produção dos porta-enxertos, sendo estes produzidos através do semeio dos caroços em canteiros. A semente encontra-se dentro do caroço, que pode chegar a ter até seis sementes/caroço. Quando as plantinhas estiverem com dois pares de folhas definitivas, devem ser repicadas (colocadas) em sacos de plástico (polietileno preto), contendo substrato da região. Após três meses, já se pode fazer a enxertia e dois meses depois, pode ser levada para o campo. O espaçamento utilizado para o plantio definitivo depende de vários fatores, podendo chegar até a 15 X 15m.

               Em virtude da ausência de plantios racionais, em época de safra, o fruto é comercializado principalmente em feiras livres para consumo "in natura" ou para fabrico de geléias, polpa congelada, suco concentrado e sorvetes. No estado da Paraíba, onde existem localidades com nomes alusivos a esta planta, como os municípios de Cajazeiras e do Cajá, podem ser encontradas plantas adultas em várias regiões, porém é mais freqüente os povoamentos naturais nos municípios que constituem a micro-região do Brejo Paraibano. Pelas potencialidades apresentadas pela planta, pode-se afirmar que se trata de um recurso fitogenético importante para a região Nordeste, onde as condições edafo-climáticas favorecem o seu cultivo e produção.