

Citrus
sinensis L. Osbeck
Pertencente
a família das Rutáceas (Rutaceae), a laranja é das uma fruta cultivadas
mais importantes do Brasil. Originária da Ásia, mais especificamente
da Indochina e sul da China, foi trazida pelos portugueses em meados
do século XVII, proveniente das Indias Portuguesas. O cultivo da laranjeira
e o uso da laranja remontam a um período de mais de 2 mil anos antes
de Cristo, conforme demonstram escritos encontrados na China.
Também
em conseqüência dessa antigüidade e das inúmeras modificações genéticas
por que passaram ao longo dos anos, as laranjas e os demais frutos cítricos
foram nomeados e renomeados incontáveis vezes na tentativa de se estruturar
uma classificação adequada, ao mesmo tempo, à ciência e ao comércio. Por isso,
muitas vezes, no caso das laranjas, não se encontra consenso em relação à
nomenclatura dada a esta ou àquela fruta, ainda mais ao se considerarem os
seus nomes populares. E mais ainda porque, muitas vezes, uma mesma variedade
pode apresentar diferenças de coloração e sabor, em virtude das condições
do clima e de solo da região em que foi plantada.
A
cultura da laranja, no Brasil, desenvolveu-se muito a partir dos anos 60,
quando uma geada sem precedentes destruiu grande parte dos laranjais da Flórida,
nos Estados Unidos, passaram então a demandar importações, o que impulsionou
países como o Brasil a investir nessa cultura. Vários Estados brasileiros
dispõem de considerável produção de laranjas e demais frutos cítricos, destacando-se
São Paulo (principal produtor), Rio de Janeiro, Minas Gerais, Sergipe, Rio
Grande do Sul, Paraná e Goiás. São vastos laranjais produtivos suprindo totalmente
as necessidades internas e a ocupar uma boa fatia do mercado internacional.
É
uma árvore de porte médio, podendo atingir até 8 m de altura, seu tronco possui
casca castanho-acinzentada, sua copa é densa e de formato arredondado. Folhas
de textura firme e bordos arredondados, exala um aroma característico quando
maceradas. As flores são pequenas, de coloração branca, aromáticas e atrativas
para abelhas.
Possui
fruto de formato e coloração variável de acordo com a variedade, com casca
de coloração alaranjada, envolvendo uma polpa aquosa de coloração que pode
variar de amarelo-clara a vermelha. Sementes arredondadas e achatadas, de
coloração verde esbranquiçada.
A
planta desenvolve-se melhor em climas com temperatura entre 23 e 32 °C. Vale
ressaltar que, em alguns citrus, o vigor e a longevidade das plantas são favorecidos
por clima mais ameno, bem como a qualidade e quantidade dos frutos. A resistência
ao frio varia de acordo com a variedade. O regime pluvial para um bom desenvolvimento
da cultura deve estar em torno de 1.200 a 1.400 mm anuais de bem distribuídos.
Grande parte das faixas tropical e subtropical do globo transformou-se num
verdadeiro cinturão produtor de frutas cítricas, tornando a laranja uma das
frutas mais cultivadas em todo o mundo.
Apesar
de não ter muitas exigências em relação ao tipo de solo - adapta-se tanto
a solos arenosos como argilosos - , os tipos mais indicados para o cultivo
comercial são os areno-argilosos. A laranja não tolera solos impermeáveis.
Devem ser evitados solos rasos ou que encharcam com facilidade. Para uma melhor
adaptação aos diversos tipos de solos, utiliza-se diferentes tipos de porta-enxertos.
A
aração é uma prática pouco recomendada para o cultivo da laranjeira. Sua utilização
está restrita, basicamente, a quando se planeja recuperar ou rejuvenescer
pomares que foram abandonados ou que ficaram improdutivas por fatores inerentes
ao próprio solo (tais como compactação), ou ainda, que foram atingidos por
alguma doença passageira. Esta técnica de cultivo, aliada a uma poda drástica
na parte aérea da planta, vai induzir a formação de uma nova copa melhorando
consideravelmente o vigor da planta a partir do segundo ano. O mais indicado
é a utilização de grades de dois eixos com discos de 16 polegadas, e no máximo
2 a 3 operações por ano. As grades laterais, que trabalham sob a copa das
plantas tambem são de grande utilização, pois diminuem consideravelmente a
área a ser capinada.
A
longo prazo o uso contínuo de grade, máquinas, carretas e outros implementos
pode trazer problemas para o citricultor, tais como a compactação do solo.
Por este motivo deve-se limitar o número de operações, evitando-se uma série
de efeitos negativos que impedem a expansão do sistema radicular da
planta. Nestes casos, a aração profunda, ou mesmo a subsolagem, pode possibilitar
o rompimento das camadas impermeáveis causadas pela compactação e estimular
a renovação do sistema radicular.
No
plantio definitivo, a abertura das covas pode ser feita manualmente ou utilizando-se
trados, e estas devem ter 60 x 60 x 60cm. Na confecção da cova,
separar a terra da camada superficial e da inferior e inverter sua posição
no enchimento, utilizando primeiro a camada superficial misturada com adubos
e calcários dolomítico (a utilização do calcário é feita somente se for necessário
corrigir o pH do solo, o que geralmente ocorre) e completando o enchimento
com a terra retirada da parte inferior da cova. É recomendado que se prepare
a cova com bastante antecedência para que o calcário possa agir. O Plantio
deve ser efetuado no período chuvoso ou em outra época desde que exista água
suficiente para irrigar. Deve-se evitar o plantio nos dias de muito sol.
Um
outro cuidado que deve-se ter é deixar o colo da muda em torno de 5 cm acima
do nível do solo. Comprimir a terra sobre as raízes e ao redor das plantas
para dar maior fixação a planta e maior contato das raízes com o solo. Faz-se
uma bacia em torno da muda e rega-se com 10 a 20 litros de água, depois cobre-se
com palha, capim seco ou maravalhas para evitar a incidência direta do sol
na cova, evitando assim a evaporação da água de irrigação.
Alguns
fatores determinam o espaçamento a ser adotado no pomar: porte da planta,
textura e níveis de nutrientes do solo, tratos culturais, culturas intercalares
e o sistema de irrigação a ser utilizado.
Para as laranjas var. Baianinha e Valência, utiliza-se o espaçamento de 6
x 4m (416 Plantas/ha).
Para
as laranjas Pêra, Parson Brown, Midsweet, Natal e Rubi o espaçamento recomendado
é de 6 x 3m (555 Plantas/ha).
Para
que a faixa de colheita do pomar seja ampliada, recomenda-se o plantio de
diferentes variedades com diferentes épocas de maturação (precoces, de meia-estação
e tardias). Com um pomar bem diversificado, efetuando-se diversas colheitas
ao longo do ano, evita-se a concentração da safra em um único período o que
acarretaria em preços reduzidos.
Atualmente
as laranjeiras são formadas pelo conjunto de dois indivíduos diferentes: o
porta-enxerto e a copa. Esta combinação deve ser harmônica pois, o uso indiscriminado
de uma única combinação possibilita o surgimento de doenças do porta-enxerto.
Porta
enxertos híbridos de Poncirus trifoliata induzem menor tamanho à planta, o
que facilita os plantios mais adensados. Esses híbridos apresentam maior tolerância
à gomose.
Sempre
faça análise química do solo para saber como e em que quantidade se deve colocar
os adubos na cultura, principalmente se for adubos químicos. Os adubos orgânicos
aplicados na cova, alem de fornecer nutrientes à planta melhora a capacidade
de retenção de água pelo solo.
Geralmente
ocorre nos primeiros dois anos algumas brotações nas plantas abaixo da copa.
Essas brotações devem ser eliminadas bem novas, bem como efetuar tambem a
retirada dos frutos, pois os mesmos não tem significação econômica e atrasam
o crescimento e as safras futuras.
Uma
outra providência a ser tomada consiste em plantar culturas intercalares
nos primeiros três anos, tais como feijão, amendoim, fumo, batata-doce, inhame,
abóbora, melancia ou fruteiras como abacaxi, mamão e maracujá. O cultivo intercalar
deve ser mantido a uma distância mínima de 1,5m da laranjeira. Esta prática
assegura uma renda inicial ao citricultor, já que o retorno do capital empregado
no plantio do laranjal só inicia após o segundo ano.
O
manejo inadequado do controle de plantas daninhas tem contribuído para reduzir
a disponibilidade de água para as plantas cítricas. A adoção dessa prática
cultural permite aumentar os teores de matéria orgânica e a capacidade de
retenção de água pelo solo. A capina pode ser manual, mecânica ou química.
A capina manual diminue a concorrência do mato. O
emprego de herbicidas deve ser feito com muito cuidado, e com orientação técnica. A capina mecânica deve ser feita com grade de discos e roçadeira, em épocas
diferentes.
Uma
tecnologia alternativa de manejo que proporcione aumento da capacidade produtiva
do solo, pela utilização de leguminosas como cobertura nas entrelinhas dos
citros vem se destacando como uma das formas mais eficientes no controle do
processo erosivo e no melhoramento das condições físicas, químicas e biológicas
do solo. O feijão-de-porco, guandú, crotalarias, ao penetrarem na camada adensada
descompacta o solo, permitindo maior infiltração da água, intensificando a
vida biológica, enriquecendo-o com nitrogênio fixado na atmosfera por meio
de uma bactéria, o rizóbio, que forma nódulos em suas raízes. Sua massa verde,
deixada na superfície como cobertura morta, permite reduzir as perdas de água
por evaporação, mantendo assim a umidade por mais tempo disponível para a
cultura.
Tratos
culturais adequados são de fundamental importância para o equilíbrio entre
os insetos pragas e seus inimigos naturais (insetos úteis) As plantas novas
de até quatro anos são as mais afetadas e sofrem mais com o ataque das pragas.
Nessa faixa de idade, é praticamente impossível se dispensar o controle químico,
no entanto não se deve abusar dos agrotóxicos . Só aplicar o inseticida nas
plantas com ataque intenso, e assim mesmo, sob orientação técnica.
A
inspeção periódica do pomar é de fundamental importância, pois permite detectar
a presença das pragas e o seu grau de infestação.

As
principais pragas da cultura são:
Broca
da Laranjeira - (Cratosomus flavofasciatus)
A larva (forma jovem) desse inseto ao se alimentar, destrói internamente
parte do tronco e ramos comprometendo a circulação da seiva, e em alguns
casos provocando a queda de galhos mais finos. Os adultos são besouros
grandes, causam estragos pois destroem as gemas de ramos novos. O controle
da Larva é efetuado com o auxílio de um arame, atinge-se a larva no
interior da galeria; utilizando-se uma seringa, injeta-se querosene
ou um inseticida fosforado no orifício; introduz-se no orifício 2 a
3 gramas de gastoxim pasta (sulfeto de alumínio). Este método elimina
100% das larvas no interior da galeria.
O
controle do inseto adulto é efetuado com o a utilização de uma planta armadilha,
a "Maria Preta" (Cordia verbenacea). Ela deve ser plantada num espaçamento
de 100 a 150m, de preferência no contorno do pomar e em local não sombreado.
Deve-se observar a freqüência dos besouros sob esta planta e catá-los.
É importante que a catação do besouro sob a "maria preta" seja iniciada logo
que apareçam os primeiros besouros nas plantas armadilhas.
As cochonilhas e mosca
branca causam maiores danos em plantas de até quatro anos de idade.
O manejo adequado de plantas daninhas é um forte aliado no controle destas
e de outras pragas. Durante o período das chuvas o mato deve ser apenas ceifado
em toda a área do laranjal. No período seco uma aplicação de glifosate na
área é suficiente para reduzir a ocorrência do mato. Essa prática contribui
para a manutenção dos inimigos naturais das pragas.
O
monitoramento é uma prática valiosa contra a moscas-das-frutas pois indica o momento em que deve ser iniciado o controle; para isto utilizam-se
armadilhas ou frascos caça-moscas. Os frascos devem ser colocados na periferia
do pomar sob a copa das árvores, bem antes do início da maturação dos frutos,
contendo uma solução com melaço de cana ou proteína hidrolizada e água.
Doenças
As
laranjeiras são sujeitas ao ataque de diversas doenças nas suas diferentes
fases de formação e desenvolvimento: sementeira, viveiro e pomar. Listamos
a seguir algumas delas.
Estiolamento
Damping-Off - as sementes apodrecem e não germinam. As plantinhas
ficam amarelecidas, com o colo apodrecido na linha do solo; tombam e morrem.
Tristeza - canelura nos ramos, há a paralisação do desenvolvimento
da planta seguido de clorose e redução do tamanho das folhas, aparecem folhas
com sintomas de deficiência de micronutriente e frutos pequenos e endurecidos.
Para controlar a "tristeza dos citrus", o uso de material propagativo
preimunizado com estirpes fracas do vírus é uma boa prática.
Verrugose - Causa lesões salientes, corticosas irregulares que se agrupam recobrindo
extensas áreas da folha e dos brotos.
Gomose - Afeta a casca e a parte externa do lenho nas raízes, tronco e até ramos
mais altos. Tambem verifica-se a presença de goma de coloração marrom (o que
dá o nome à doença). Alem disso, as folhas tornam-se
amarelas.
Rubelose - Os galhos ficam revestidos pelo fungo que a princípio é branco, tornando-se
amarelo róseo com o avanço da doença. O galho seca, a casca parte e se levanta.
A doença começa na bifurcação dos ramos e caminha para as extremidades.
Melanose - Causa
pequenas lesões arredondadas, ligeiramente salientes, de coloração escura,
recobrindo grandes áreas dos frutos, folhas e ramos. Os frutos atacados são
de baixo valor comercial.
MUITO IMPORTANTE! Consulte
sempre um Agrônomo para acompanhar o combate as pragas e doenças
de sua cultura!
Precauções
na Aplicação de Pesticidas:
- O
enxofre pode propiciar o aumento de cochonilhas e não deve ser usado em mistura
com óleo mineral emulsionável.
- Caso
use um dos produtos, espere pelo menos vinte dias para aplicar o outro.
- Não
aplique óleo mineral emulsionável em plantas que estão em murchamento.
- Evitar
aplicação do óleo antes de trinta dias da colheita, pois reduz o teor de açúcar
dos frutos e dificulta o desverdecimento dos mesmos.
- Fungicida
à base de cobre pode favorecer o aumento de cochonilhas. Quando aplicado em
árvores com frutos já desenvolvidos pode ocasionar a mancha estrelada.