Citrus limon L. Burmann f.

 

               O Limoeiro pertence a família das Rutáceas (Rutaceae). Há quem afirme que o limoeiro é originário do Golfo de Oman ou Itália. É uma árvore de porte médio, atingindo 4 m de altura, possui tronco reto, com copa densa e arredondada. Suas flores, com botões avermelhados e pétalas branco-amareladas, nascem em grupos de 2 a 20 unidades. Os frutos possuem formato arredondado, com casca lisa ou ligeiramente rugosa, e com coloração esverdeada. Polpa esbranquiçada, suculenta, que envolve um líquido translúcido. Algumas variedades não possuem sementes Propaga-se preferencialmente por enxertia, preferindo clima e solos semelhantes ao da laranja. A colheita pode ser feita ao longo do ano, dependendo da época de plantio.

               Os limões além de fonte poderosa de vitamina C, a medicina popular atribui também vários poderes curativos, entre os quais o de atuar como antibiótico natural e como regulador das taxas de colesterol do organismo, e também, fazem com ele citratos, anti-sépticos, adstringentes, etc. Na culinária, tem inúmeras utilidades, bastando algumas gotas para emprestar seu sabor ao de outros alimentos. Seu sumo é usado como condimento no preparo e no saboreio de peixes, frutos do mar e aves; sua casca, em pedaços ou em raspas, é também condimento aromático ou matéria-prima essencial para doces, compotas, pudins, balas, cremes, recheios, suspiros, caldas, e faz-se também a famosa "caipirinha". Como quase todas as frutas, os limões podem ser conservados em calda ou em compotas; com seu suco refrigerante, fazem-se refrescos, coquetéis e sorvetes. Enfim, uma lista enorme de delícias.

               Igual à laranja, o limoeiro adapta-se tanto a solos arenosos como argilosos. Apesar disto, os mais indicados para o cultivo comercial são os areno-argilosos. O limoeiro não tolera solos impermeáveis. Devem ser evitados solos rasos ou que encharcam com facilidade.

               A aração é uma prática pouco recomendada para o cultivo dos citrus de uma maneira geral. Sua utilização está restrita, basicamente, a quando se planeja recuperar ou rejuvenescer pomares que foram abandonados ou que ficaram improdutivos por fatores inerentes ao próprio solo (tais como compactação), ou ainda, que foram atingidos por alguma doença passageira. Esta técnica de cultivo, aliada a uma poda drástica na parte aérea da planta, vai induzir a formação de uma nova copa melhorando consideravelmente o vigor da planta a partir do segundo ano.

               O mais indicado, no entanto, é a utilização de grades de dois eixos com discos de 16 polegadas, e no máximo 2 a 3 operações por ano. As grades laterais, que trabalham sob a copa das plantas tambem são de grande utilização, pois diminuem consideravelmente a área a ser capinada. A longo prazo o uso contínuo de grade , máquinas, carretas e outros implementos pode trazer problemas para o citricultor, tais como compactação do solo. Por este motivo deve-se limitar o número de operações, evitando-se uma série de efeitos negativos que impedem a expansão do sistema radicular da planta. Nestes casos, a aração profunda, ou mesmo a subsolagem, pode possibilitar o rompimento das camadas impermeáveis causadas pela compactação e estimular a renovação do sistema radicular.

               No plantio definitivo, a abertura das covas pode ser feita manualmente ou utilizando-se trados, e estas devem ter 60 x 60 x 60cm. Separar a terra da camada superficial e da inferior e inverter sua posição no enchimento, utilizando primeiro a camada superficial misturada com adubos e calcários dolomítico (a utilização do calcário é feita somente se for necessário corrigir o pH do solo, o que geralmente ocorre) e completando o enchimento com a terra retirada da parte inferior da cova. É recomendado que se prepare a cova com bastante antecedência para que o calcário possa agir.

               O Plantio deve ser efetuado no período chuvoso ou em outra época desde que exista água suficiente para irrigar. Deve-se evitar o plantio nos dias de muito sol. Um outro cuidado que deve-se ter é deixar o colo da muda em torno de 5 cm acima do nível do solo. Comprimir a terra sobre as raízes e ao redor das plantas para dar maior fixação a planta e maior contato das raízes com o solo. Faz-se, também, uma bacia em torno da muda e rega-se com 10 a 20 litros de água, depois cobre-se com palha, capim seco ou maravalhas para evitar a incidência direta do sol na cova, evitando assim a evaporação da água de irrigação.

               Alguns fatores determinam o espaçamento a ser adotado no pomar: porte da planta, textura e níveis de nutrientes do solo, tratos culturais, culturas intercalares e o sistema de irrigação a ser utilizado. Para os limoeiros var. taiti e galego usa-se o espaçamento de 6 x 8m ou 9 x 5m; para as var. siciliano e eureca é recomendado o espaçamento de 7 x 9m.

               Atualmente os limoeiros, iguais as laranjeiras, são formadas pelo conjunto de dois indivíduos diferentes: o porta-enxerto e a copa. Esta combinação deve ser harmônica pois, o uso indiscriminado de uma única combinação possibilita o surgimento de doenças do porta-enxerto. Convém plantar mudas vigorosas enxertadas em cavalos de limão-cravo, laranja-caipira ou trifoliata, livres de vírus.

               As melhores variedades para exportação são as var. siciliano e var. eureca; para o mercado interno e indústria as variedades Taiti, galego, siciliano e eureca são as mais indicadas.

               Sempre faça análise química do solo para saber como e em que quantidade se deve colocar os adubos na cultura, principalmente se for adubos químicos. Os adubos orgânicos aplicados na cova, alem de fornecer nutrientes à planta melhora a capacidade de retenção de água pelo solo.

               Geralmente ocorre nos primeiros dois anos algumas brotações nas plantas abaixo da copa. Essas brotações devem ser eliminadas bem novas bem como efetuar tambem a retirada dos frutos, pois os mesmos não tem significação econômica e atrasam o crescimento e as safras futuras. Uma boa prática consiste em plantar culturas intercalares nos primeiros três anos, tais como feijão, amendoim, batata-doce, inhame, abóbora, melancia ou fruteiras como abacaxi, mamão e maracujá. O cultivo intercalar deve ser mantido a uma distância mínima de 1,5m do limoeiro.

               Esta prática assegura uma renda inicial ao citricultor, já que o retorno do capital empregado no plantio do pomar de limão só inicia após o segundo ano. O manejo inadequado do controle de plantas daninhas tem contribuído para reduzir a disponibilidade de água para as plantas cítricas. A adoção dessa prática cultural permite aumentar os teores de matéria orgânica e a capacidade de retenção de água pelo solo.

               A capina pode ser manual, mecânica ou química. A capina manual diminui a concorrência do mato. O emprego de herbicidas deve ser feito com muito cuidado, e com orientação técnica. A capina mecânica deve ser feita com grade de discos e roçadeira, em épocas diferentes. Deficiências de zinco, manganês ou boro, são corrigidas, na primavera-verão, com duas pulverizações foliares contendo, na primeira aplicação, sulfato de zinco a 0,25%, sulfato de manganês a 0,15% + cal a 0,15%, e bórax a 0,05%. Na segunda aplicação deve-se substituir a cal por uréia a 0,5%.

               Uma tecnologia alternativa de manejo que proporcione aumento da capacidade produtiva do solo, pela utilização de leguminosas como cobertura nas entrelinhas dos citros vem se destacando como uma das formas mais eficientes no controle do processo erosivo e no melhoramento das condições físicas, químicas e biológicas do solo. O feijão-de-porco, guandú, crotalarias, ao penetrarem na camada adensada descompacta o solo, permitindo maior infiltração da água, intensificando a vida biológica, enriquecendo-o com nitrogênio fixado na atmosfera por meio de uma bactéria, o rizóbio, que forma nódulos em suas raízes. Sua massa verde, deixada na superfície como cobertura morta, permite reduzir as perdas de água por evaporação, mantendo assim a umidade por mais tempo disponível para a cultura.

               Tratos culturais adequados são de fundamental importância para o equilíbrio entre os insetos pragas e seus inimigos naturais (insetos úteis) As plantas novas de até quatro anos são as mais afetadas e sofrem mais com o ataque das pragas. Nessa faixa de idade, é praticamente impossível se dispensar o controle químico, no entanto não se deve abusar dos agrotóxicos . Só aplicar o inseticida nas plantas com ataque intenso, e assim mesmo, sob orientação técnica. A inspeção periódica do pomar é de fundamental importância, pois permite detectar a presença das pragas e o seu grau de infestação.

               As principais pragas da cultura são:

               Broca da Laranjeira - (Cratosomus flavofasciatus) A larva (forma jovem) desse inseto ao se alimentar, destrói internamente parte do tronco e ramos comprometendo a circulação da seiva, e em alguns casos provocando a queda de galhos mais finos. Os adultos são besouros grandes, causam estragos pois destroem as gemas de ramos novos. O controle da Larva é efetuado com o auxílio de um arame, atinge-se a larva no interior da galeria; utilizando-se uma seringa, injeta-se querosene ou um inseticida fosforado no orifício; introduz-se no orifício 2 a 3 gramas de gastoxim pasta (sulfeto de alumínio). Este método elimina 100% das larvas no interior da galeria. O controle do inseto adulto é efetuado com o a utilização de uma planta armadilha, a "Maria Preta" (Cordia verbenacea). Ela deve ser plantada num espaçamento de 100 a 150m, de preferência no contorno do pomar e em local não sombreado. É importante que a catação do besouro sob a "maria preta" seja iniciada logo que apareçam os primeiros besouros nas plantas armadilhas.

               As cochonilhas e mosca branca causam maiores danos em plantas de até quatro anos de idade. O manejo adequado de plantas daninhas é um forte aliado no controle destas e de outras pragas. Durante o período das chuvas o mato deve ser apenas ceifado em toda a área dos limoeiros. No período seco uma aplicação de glifosate na área é suficiente para reduzir a ocorrência do mato. Essa prática contribui para a manutenção dos inimigos naturais das pragas.

               O monitoramento é uma prática valiosa contra a moscas-das-frutas pois indica o momento em que deve ser iniciado o controle; para isto utilizam-se armadilhas ou frascos caça-moscas. Os frascos devem ser colocados na periferia do pomar sob a copa das árvores, bem antes do início da maturação dos frutos, contendo uma solução com melaço de cana ou proteína hidrolizada e água.

               Doenças

               Os limoeiros são sujeitas ao ataque de diversas doenças nas suas diferentes fases de formação e desenvolvimento: sementeira, viveiro e pomar. Listamos a seguir algumas delas.

Estiolamento Damping-Off - as sementes apodrecem e não germinam. As plantinhas ficam amarelecidas, com o colo apodrecido na linha do solo; tombam e morrem.
Tristeza - canelura nos ramos, há a paralisação do desenvolvimento da planta seguido de clorose e redução do tamanho das folhas, aparecem folhas com sintomas de deficiência de micronutriente e frutos pequenos e endurecidos. Para controlar a "tristeza dos citrus", o uso de material propagativo preimunizado com estirpes fracas do vírus é uma boa prática.
Verrugose - Causa lesões salientes, corticosas irregulares que se agrupam recobrindo extensas áreas da folha e dos brotos.
Gomose - Afeta a casca e a parte externa do lenho nas raízes, tronco e até ramos mais altos. Tambem verifica-se a presença de goma de coloração marrom (o que dá o nome à doença). Alem disso, as folhas tornam-se amarelas.
Rubelose - Os galhos ficam revestidos pelo fungo que a princípio é branco, tornando-se amarelo róseo com o avanço da doença. O galho seca, a casca parte e se levanta. A doença começa na bifurcação dos ramos e caminha para as extremidades.

Melanose - Causa pequenas lesões arredondadas, ligeiramente salientes, de coloração escura, recobrindo grandes áreas dos frutos, folhas e ramos. Os frutos atacados são de baixo valor comercial.

MUITO IMPORTANTE!

Consulte sempre um Agrônomo para acompanhar o combate as pragas e doenças de sua cultura!

     Precauções na Aplicação de Pesticidas:

         
      O enxofre pode propiciar o aumento de cochonilhas e não deve ser usado em mistura com óleo mineral emulsionável.
               Caso use um dos produtos, espere pelo menos vinte dias para aplicar o outro.
               Não aplique óleo mineral emulsionável em plantas que estão em murchamento.
               Evitar aplicação do óleo antes de trinta dias da colheita, pois reduz o teor de açúcar dos frutos e dificulta o desverdecimento dos mesmos.
               Fungicida à base de cobre pode favorecer o aumento de cochonilhas. Quando aplicado em árvores com frutos já desenvolvidos pode ocasionar a mancha estrelada.