cocos nucifera L.


               O coqueiro (Cocos nucífera L.), pertencente à família Palmae é uma planta arbórea, com caule do tipo estipe, geralmente ereto, podendo chegar até 30 metros de altura, sem ramificações. Possue folhas terminais de até 6 metros de comprimento, pêndulas, com folíolos de coloração verde-amarelada e rígidas. Flores numerosas brancas, pequenas, reunidas em cachos de até 1 m de comprimento. Floresce o ano todo e, de forma mais abundante, no verão. É cultivado em aproximadamente 90 países, sendo típico de clima tropical. Sua origem é bastante controversa. Uns dizem que ele é oriundo da Índia, alguns afirmam que é oriundo de todo o Sudeste Asiático, outros afirmam que é proveniente de ilhas do Pacífico; alguns, ainda, o julgam africano e, para completar, dizem também que já existia na América Central desde os tempos pré-colombianos.

               No Brasil a cultura do coqueiro, variedade gigante, chegou possivelmente junto com a colonização portuguesa em 1553, oriunda da ilha de Cabo Verde, que por sua vez, foram originadas de plantações Indianas introduzidas na África. A cultura se adaptou bem no litoral Brasileiro sendo encontrada, sem nenhum cultivo, desde o Maranhão até o Espírito Santo. O coqueiro, variedade anã, foi introduzido no Brasil em 1925, oriundo da Malásia. Atualmente, o Brasil possui em torno de 50 mil hectares implantados com a cultura do coqueiro anão. O maior produtor é o Estado do Espírito Santo, com aproximadamente 14 mil hectares, seguido pela Bahia, com 12 mil hectares e Ceará em terceiro, com 5 mil ha produzindo. Os maiores produtores mundiais são: Filipinas, Indonésia e Índia.

               Devido a grande procura pela água do fruto, mundialmente conhecida como "Água de coco", que além do sabor adocicado apresenta características isotônicas em relação ao sangue humano, vários Estados brasileiros estão incrementando sua produção e alguns até substituindo lavouras antigas por esta cultura, como é o caso do Estado de São Paulo, que em muitas áreas o coqueiro anão substituiu plantios de laranjas e café.

               O coqueiro é uma planta monóica produzindo flores unissexuadas em uma inflorescência ramificada; produz normalmente de 12 a 15 inflorescência por ano em intervalos de 24 a 30 dias. A flor masculina é composta de seis pequenas lâminas amarelas; as três externas são sépalas e as três internas, pétalas. No centro da flor, montadas em pequenos filamentos, estão seis anteras, que abertas deixam escapar o pólen, elemento de fecundação das flores femininas para formação do fruto. A flor feminina consta de uma espécie de botão, de coloração amarelo-clara, como a flor masculina, de três brácteas duras, curtas, seis folíolos esbranquiçados e um tanto carnudos, dos quais os três externos são as sépalas e os três internos são as pétalas.

               Como a abertura das flores femininas geralmente não coincidem com a das masculinas nos coqueiros comuns ou gigantes, o que ocorre normalmente é a polinização cruzada. No coqueiro anão, as flores masculinas e femininas amadurecem aproximadamente ao mesmo tempo, ocorrendo normalmente a autofecundação. No entanto, entre as cultivares do coqueiro anão, o nível de autofecundação é variável e ocorre de acordo com a variedade considerada.

               O fruto é uma drupa de forma ovóide, quase globoso, de coloração esverdeada a amarela ou vermelha enquanto imaturo, e de coloração acinzentada ou castanho quando maduro, de casca lisa, com cerca de 25 cm de comprimento e 15 em de diâmetro formado por uma epiderme lisa ou epicarpo, que envolve o mesocarpo espesso e fibroso, ficando mais para o interior uma camada muito dura, o endocarpo. A semente é constituída de uma camada fina de cor marrom, o tegumento, que fica entre o endocarpo e o albúmen sólido (carne) onde fica o embrião; a cavidade interna é preenchida pelo albúmen líquido (água do coco). Tanto a semente como o fruto variam na sua forma, tamanho e peso, sendo influenciados geneticamente e por condições ambientais.

               A cultura produz, geralmente, de 50 a 80 frutos por planta/ano, na variedade gigante, e 150 a 240 frutos/planta/ano na variedade anã . Os frutos se prestam tanto para o consumo "in natura" como para a produção de copra para a indústria, pois, possuem endocarpo espesso e firme.

               A propagação do coqueiro é feita por meio dos coco-sementes, provenientes das plantas matrizes. O plantio deve ser realizado no início da estação chuvosa, caso a cultura não seja irrigada, ou qualquer época do ano com irrigação. As sementes (cocos) devem ser cultivados em canteiros e, depois que atingirem 60 a 80cm de altura, transplantadas para o local definitivo. Estas mudas devem ser colocadas no centro das covas tendo-se o cuidado de deixar sobre a parte superior da semente (coco) uma camada de terra suficiente para cobri-la, mas sem permitir que o colo da planta fique coberto.

               Os espaçamento mais recomendados são 7,5 m x 7,5 m para as variedades anãs, 8,5 m x 8,5 m para os híbridos e 9,0 m x 9,0 m para as variedades gigantes, todas dispostas em triângulo equilátero, totalizando 205, 160 e 142 plantas por hectare. As covas devem ser abertas com dimensões de 0,80 m x 0,80 m x 0,80 m. Prefere os solos areno-argiloso, profundos, com boa drenagem. O coqueiro possui sistema radicular fasciculado, com maior concentração nos primeiros 60 centímetros e raio de 150 centímetros.

               O coqueiro é dividido em três grupos principais: Gigantes, Intermediários (híbridos) e Anões Cada grupo contém um número de variedades. As variedades são geralmente nomeadas de acordo com a sua suposta localidade de origem. As variedades gigantes apresentam de modo geral, fecundação cruzada; seu crescimento é rápido e fase vegetativa longa (cerca de sete anos). As principais variedades existentes no Brasil são:

Coqueiro-Gigante

· Gigante da Praia do Forte -GBrPF - Bahia
· Gigante do Oeste Africano -GOA - Costa do Marfim
· Gigante de Renell -GRL - Taiti
· Gigante da Malásia -GML - Malásia

Coqueiro-Anão

· Amarelo-da-Malásia -AAM - Malásia
· Vermelho-da-Malásia -AVM - Malásia
· Vermelho-dos Camarões -AVC - República dos Camarões
· Verde do Brasil -AVeB - Rio Grande do Norte
· Amarelo do Brasil -AAB - Paraíba
· Vermelho do Brasil -AVB - Paraíba

               O coqueiro fornece alem de alimento, água e óleo de cozinha, mas também folhas para telhados de palha, fibras para cordas, tapetes e redes, casca que pode ser usada como utensílios e ornamentos, açúcar e álcool podem ser feitos da seiva de sua inflorescência e inúmeros outros produtos elaborados de partes da planta. O coqueiro também é muito utilizada como planta ornamental em casas, parques e jardins. O desenvolvimento do fruto necessita de 12 meses, desde a diferenciação floral até a maturação completa.

               Entre os pratos elaborados com o coco estão, o vatapá, o caruru de folha, o efó, as frigideiras de maturi, peixes e frutos do mar, arraia, aratu, camarão, peixe, lagosta, ostra e siri-mole, o xinxim de galinha, o arroz-de-hauçá, e outras delícias salgadas. Entre os doces, a baba-de-mofa, as cocadas, branca, queimada ou de coco verde, de cortar ou de colher, a cocada-puxa, o quindim, o "creme do homem", o beiju molhado, o cuscuz de tapioca, os bolos todos, de aipim, de milho, de milho verde, de tapioca, de massa puba e de farinha de trigo, os mingaus de milho, de puba e de tapioca, a canjica, a pamonha, o xerém, o munguzá, a paçoca de banana, entre tantas outras invenções possíveis.