
Macadâmia integrifolia Maiden & Betch
A
Macadâmia é originária das florestas tropicais costeiras da Austrália,
e é conhecida como noz australiana. Foi introduzida no Havaí em 1881 e, atualmente,
este país se constitui no maior produtor de noz macadâmia e é também onde se
processam grande número de investigações sobre esta espécie, mas foi somente
a partir de 1945 que ela tomou impulso como cultura importante. Foi introduzida
no Brasil em 1931 pela empresa Dierberger e , posteriormente, pelo Instituto
Agronômico de Campinas e por outras empresas interessadas no cultivo. A nogueira
macadâmia é cultivada no Havaí, Austrália, Guatemala, África do Sul, Quênia,
Malavi, Costa Rica, Colômbia e Brasil. Aqui, temos mais de 3.000 ha distribuídos
entre os estados de São Paulo, Bahia, Espírito Santo Rio de Janeiro e Minas
Gerais.
Planta
da família Proteaceae, a macadâmia (Macadâmia integrifolia Maiden & Betch) desenvolve-se
bem em locais de temperatura média entre 23 e 28 ºC, podendo ser cultivada em
regiões um pouco mais quente, no entanto, para estimular a indução floral, a
temperatura noturna deve estar em torno de 18 a 20 ºC. É planta de clima tropical
e subtropical, apresentando pequena resistência às baixas temperaturas. A precipitação
pluviométrica ideal para a cultura deve ficar entre 1.200 e 1.800 mm anuais
bem distribuídos, e altitude abaixo de 800 metros, a produção está intimamente
ligada à distribuição das chuvas ou à freqüência de irrigação. Os ventos são
altamente prejudiciais à cultura. Os solos indicados para o cultivo desta nogueira
são aqueles solos profundos, bem drenados e com pH (acidez) entre 4,5 e 6,5.
É
uma árvore perene que pode alcançar até 15 metros de altura e 12 metros de diâmetro
de copa. Suas folhas são lisas, possuem 10 a 30 cm de comprimento e 2,5 a 7,5
cm de largura; quando novas, apresentam coloração bronzeada e surgem dispostas
em verticilos de 3 em cada nó. As inflorescências tipo rácemo (cachos) nascem
das gemas localizadas nas axilas foliares, tendo de 10 a 30 cm de tamanho e
contendo de 200 a 300 flores. A flor é perfeita (hermafrodita), apresentando
4 anteras unidas por pequenos filamentos a cada uma das quatro sépalas. Os botões
florais são verdes, quando em fase de crescimento e ficam de cor creme ou branca,
3 a 4 dias antes da antese.
Botanicamente
o fruto é um folículo deiscente, que se abre através de uma única sutura, com
o pericarpo formando a casca. O pericarpo é verde brilhante e envolve uma noz
esférica e lisa com diâmetro transversal de 1,2 a 3,2 cm. A noz contém uma amêndoa
de cor branca ou creme, de peso variando de 1,5 a 3,0 g. O período de floração
da nogueira macadâmia no Brasil acontece de julho a meados de setembro e a colheita
é efetuada de fevereiro a julho.
A
macadâmia pode ser propagado diretamente por sementes ou vegetativamente, por
enxertia ou estaquia. Recomenda-se propagar a cultura apenas vegetativamente
porque, árvores enxertadas produzem de 3 a 5 vezes mais que as árvores da mesma
idade propagadas por sementes. Na formação dos porta-enxertos, são utilizadas
sementes retiradas de árvores vigorosas e crescimento rápido, a noz deve ser
uniforme e pesada e semeada dentro de 3 a 4 meses após a colheita. Em geral,
as nozes de casca fina germinam melhor que as de casca grosa. Deve-se retirar
a amêndoa da casca pois esta dificulta a penetração da água, retardando e desuniformizando
a germinação. A enxertia pode ser feita pelo sistema de garfagem fenda cheia
ou fenda lateral, sempre no período em que a planta está vegetando e portanto
fora da época de produção, utilizando-se garfos provenientes de ramos anelados
com antecedência de 6 a 8 semanas, para induzir o desenvolvimento das gemas.
Já pelo método da estaquia, são utilizadas estacas herbáceas de 12 cm de comprimento
com três folhas, tratadas com ácido indobutílico a 400 ppm, e colocadas sob
nebulização intermitente. Utilizando-se destes sistemas de propagação vegetativas,
a planta começa a produzir a partir do terceiro ano, estabilizando a produção
após 15 anos, podendo atingir mais de 30 kg de nozes por planta.
O
espaçamento utilizado no plantio da cultura deve ser de 12 x 10 metros . Este
espaçamento pode ser aumentado ou reduzido, dependendo das condições de solo,
clima e tratos culturais. Isto faz com que uma área muito grande fique ociosa
por um período muito grande, sendo possível utilizar-se o consórcio com outras
fruteiras para um melhor aproveitamento da área. No entanto, deve-se evitar
a utilização do mamoeiro neste consórcio pois, segundo pesquisas desenvolvidas
neste sentido, a macadâmia não se desenvolve a contento na presença desta cultura.
Como a cultura é sensível à presença de ervas daninhas no início de seu desenvolvimento,
deve-se manter o terreno livre destas plantas (através de gradagens que também
contribuirá para o arejamento do solo, beneficiando o desenvolvimento da planta),
ou de capinas manuais, se houver consórcio com outras frutíferas. A macadâmia
responde bem à fertilidade do solo, daí a necessidade de se definir, através
de análises laboratoriais, as deficiências do mesmo e corrigi-las a contento,
lembrando que, a calagem (processo pelo qual se eleva o pH do solo através
da incorporação de calcário dolomítico no solo) deve ser efetuada 3 meses antes
do plantio definitivo das mudas. O pomar deve ser mantido livre de ervas daninhas
e, nas plantas, é aconselhável que se efetue podas de limpeza para manter as
mesmas bem arejadas e livres de galhos podres ou de conformação indesejável.
No
Brasil, devido ao recente cultivo da noz macadâmia, não se tem notícias de pragas
ou doenças importantes dignos de registros, exceto a antracnose, causado pelo
fungo Colletotrichum spp. Ele afeta as folhas e nozes quando estas se encontram
próximas da maturação. É uma doença importante no viveiro, porem, nos pomares
dada a existência de variedades menos susceptíveis ela não tem merecido muita
atenção. As inflorescências e frutos atacados murcham e permanecem na árvore
de um ano para o outro. O controle resume-se na limpeza e queima do material
afetado pela doença. Das pragas, a que maior danos causa é uma broca que danifica
as nozes. A larva da Arotrofha ambrodella ataca as nozes verdes ou maduras quando
no solo. O controle consiste na colheita sistemática à medida que os frutos
caem ao solo. Para maiores informações, consulte um agrônomo.
A
colheita da macadâmia é feita após o 3° ano de plantio e é feita através
da catação dos frutos maduros que se desprendem da árvore e se depositam no
chão. Deve-se efetuar a colheita a cada dois dias, pois à medida em que as nozes
permanecem em contato com o solo, ficam mais sujeitas ao apodrecimento. Após
o colhimento, as nozes devem ser posta para secar, espalhando-as, e depois comercializadas.
A comercialização é efetuada apenas com as amêndoas, sem as cascas, e, devido
a falta de pesquisas e experiência dos produtores brasileiros, as perdas ainda
são muito grande, tanto no que se refere à colheita como no beneficiamento.
Em média uma planta produz cerca de 120kg de amêndoas por ano, produzindo em
torno de 5 a 10 T/ha em pomares adultos e bem conduzidos, dependendo do espaçamento
utilizado.
As
cultivares recomendadas são as seleções havaianas HAES 344 (Kau), HAES 246 (keauhou),
HAES 508 (Kakea), SHAES 660 (Keaau), HAES 741 (Mauka) e seleções do IAC 4-20
(Keaumi), Campinas B, IAC 2-23 (keaudo), IAC 4 -12 (waiasol), IAC 1-10 (keaumi)
e IAC 5-10 (kakere) . Tais cultivares apresentam características de boa produção
de nozes com boas características para industrialização. As nogueiras macadâmias
apresentam autoincompatibilidade parcial por isso é recomendável o plantio de
fileiras intercaladas de variedades diferentes para favorecer a polinização
cruzada e o aumento da produção.
A
amêndoa é consumida tostada com ou sem sal; como cobertura de confeitos achocolatados
e sorvetes; ingredientes para biscoitos e bolos; cosméticos e produtos farmacêuticos.
As amêndoas contem 75% de óleo de excelente qualidade, cuja melhor característica
é a inexistência de colesterol.