A
atemóia é uma Annonaceae, híbrido interespecífico das duas espécies mais importantes
dessa família, a cherimóya (Annona cherimola Mill.) e a pinha, ata ou fruta-do-conde (Annona
squamosa L.). Com a aparência semelhante à pinha, com polpa branca,
doce, ligeiramente ácida, sucosa e bem mais saborosa, começa a fazer sucesso
no Brasil e já desperta a curiosidade dos produtores de frutas espalhados pelo
país. A fruta é intermediária às espécies que lhe deram origem.
Produzida
por hibridação na África do Sul e Israel, a atemoya foi introduzida
em vários países principalmente na Austrália, onde seu cultivo é mais
intensificado, chegando a ser produto de exportação, mas é ainda pouco
divulgada em outros países. No Brasil, foi introduzida recentemente
e já desperta o interesse de alguns produtores, pela sua qualidade superior
à pinha.
A
atemóya é uma planta de porte médio a baixo e conformações variáveis,
tendo geralmente a copa aberta, esparramada, podendo chegar a 10 metros
de altura e igual dimensão em diâmetro de projeção. Os ramos são fracos
e, como em geral são muito longos, quebram-se com facilidade. O formato
das folhas pode variar dentro de uma mesma planta, apresentando 10 a
20 cm de comprimento por 4 a 8 cm de largura. Nas regiões que possuem
as estações climáticas mais definidas, a planta perde as folhas no inverno,
como forma de proteção, e este período de repouso depende muito do clima.
É muito precoce na entrada em produção, mesmo se propagada por sementes.
As
flores são hermafroditas, parecidas com as da pinha, com 3 a 4 cm de
comprimento, com três pétalas carnosas verde-pálido, ficando amareladas
quando próximo à antese, típicas da Anonáceas, com o androceu formado
de um grande número de estames, situado abaixo do gineceu, um conjunto
de pistilos, cada um com um óvulo que, se fecundado, pode originar uma
semente, surgindo daí um típico fruto composto. As flores surgem isoladas
ou em cachos de duas ou três, localizadas na axila das folhas nascidas
em ramos em crescimento ou naqueles desenvolvidos no ano anterior. Geralmente,
as flores que se abrem em períodos quentes e com elevada umidade relativa
do ar vingam melhor do que aquelas que se abrem em dias frios ou com
umidade relativa do ar baixa.
O
fruto, formado pela fusão de numerosos carpelos sobre um receptáculo
carnoso, tecnicamente conhecido com sincarpo, tem forma arredondadas
e é mais liso externamente que os da pinha. Apesar dos carpelos se apresentarem
unidos externamente, de modo a que a casca forme um tecido contínuo,
eles são bem individualizados, especialmente na parte superior da fruta,
originando um conjunto de formato diferente conforme a variedade. São
verde-amarelados quando maduros, de polpa branca e sementes marrom escura,
e ao contrário da pinha, apresenta numerosos carpelos sem sementes,
mas normalmente desenvolvidos, não chegando a interferir no formato
externo da fruta. Como em cada carpelo, a relação polpa/semente é muito
maior do que na pinha, a atemóya é muito mais carnosa.
Como
foi dito, a polpa é doce, de sabor muito agradável, não tão farinácea
como a pinha, lembrando o sabor e a qualidade da cherimóya, que é considerada
como uma das melhores frutas do mundo. O fruto demora de 120 a 180 dias
da florada à colheita, e esta demanda de 3 a 5 semanas, dependendo da
variedade. No Estado de São Paulo a produção tem sido maior em meados
do ano, o que é uma vantagem, pois foge da época da maior produção da
pinha ou fruta-do-conde, como é mais conhecida naquela região.
Por
se tratar de um híbrido, há necessidade de que a sua propagação seja
feita por métodos vegetativos para que a planta permaneça com as mesmas
características da planta mãe. Esta propagação é efetuada de maneira
mais eficaz utilizando-se o método de propagação por enxertia de borbulhia
em placa, ou por garfagem, feitas no verão, em cavalos semeados na primavera,
proveniente de frutos tanto da atemóya como da pinha ou mesmo da cherimóya.
Os cultivares mais conhecidos são 'Gefner 97'; 'Bradley'; 'Africam pride';
'PR-1'; 'PR-2'; 'PR-3'.
O
espaçamento mais recomendado é de 7 m entre filas e 6 m entre plantas
de uma mesma fileira, contendo desta forma cerca de 230 plantas por
ha. mas, recomenda-se o controle do tamanho da copa através de podas
anuais, para evitar o entrelaçamento dos ramos, dificultando os tratos
culturais e diminuindo a produtividade. O plantio deve ser efetuado
deixando-se a face superior do torrão com aproximadamente 5 cm acima
do nível normal do solo. Deve-se evitar qualquer operação no pomar que
possa ocasionar danos às raízes das plantas, razão pela qual é condenado
o uso de grades, sendo recomendado somente o uso de roçadeira e de enxada,
cuidadosamente aplicada junto às plantas. O solo deve ser corrigido
três meses antes do plantio, com aplicação de calcário dolomítico de
acordo com a análise laboratorial.
Para
as plantas que estão na fase de crescimento, é recomendável fazer aplicações
mensais de fertilizantes NPK, com a formulação 10-10-10, iniciando-se
com 50 gramas por planta, até chegar a 300 gramas /planta/vez, em quatro
aplicações anuais. Plantas em produção devem receber 180 gramas de NPK,
na formulação 8-3-9 ou similar ( dependendo da análise laboratorial
do solo), por cada centímetro de diâmetro do tronco, repetidas em três
ou quatro aplicações anuais. É recomendável também, fazer pelo menos
duas aplicações foliares anuais de boro, zinco e manganês.
Diversas
pragas e doenças podem atacar a cultura, destacando-se os fungos causadores
de podridão nas raízes e no colo da planta (Phytophthora nicotinae var. parasítica e Pythium sp.), que também podem infeccionar
os frutos, causando a sua mumificação, dano este também atribuído à
antracnose (Colletotrichum gloesporioides). Bastante comum
é um cancro dos ramos, possivelmente causado por Fusarium decemcellulare.
Os problemas de produção da atemóya, alem das doenças citadas anteriormente,
devem-se às brocas do fruto e do tronco e a insetos que atacam a planta
como o ácaro e a cochonilha. Daí a necessidade de rigorosos tratos fitossanitários,
podas e outros tratos culturais, inclusive o desbaste de frutos.
Como
a atemóya é uma fruta típica de mesa, para consumo ao natural, sua aparência
é muito importante. Serve também para a fabricação de sorvetes, e pode
ser comercializada também em forma de polpa e suco. Seu valor alimentar
é principalmente alto em açucares, mas o apelo e qualidade dessa fruta
deve-se ao seu aroma e sabor, dado pelos componentes ácidos orgânicos,
lipídios, fenóis e constituintes voláteis, especialmente os ésteres.
Plantas adultas produzem em torno de 150 frutos por ano, que devem ser
acondicionados em caixas de madeira do tipo uva, para sua comercialização.