

Musa X paradisiaca L.
(Musaceae)
Pertencente à família botânica Musaceae a bananeira é provavelmente originária do Extremo Oriente. Segundo alguns relatos, seu cultivo iniciou-se na Malaya e Ilhas Indonésias, no entanto sua origem não é muito precisa, muito provavelmente é oriunda do quente e úmido sudeste asiático, de onde provêm os mais antigos registros de seu cultivo e as mais antigas lendas construídas sobre ela. Para muitos, a antigüidade e a origem asiática da banana são fatos incontestáveis. Mas a palavra Banana é de origem africana (costa ocidental da África), e supõe-se que os navegantes portugueses na época dos grandes descobrimentos, ao procurarem uma rota para as Indias desembarcaram em Guiné, onde observaram que os nativos cultivavam bananas e, satisfeitos com seu excelente sabor, se dedicaram a propagar a cultura em territórios sob seu domínio, mantendo o nome Banana ("Banano").
Apesar disto, existem relatos sobre a presença de bananeiras no Brasil, antes mesmo do descobrimento. Acredita-se que os indígenas consumiam bananas in natura de um cultivar muito digestivo que se supõe tratar-se do cultivar Prata e/ou Branca. Mas foi apenas a partir do século XV, que a banana foi introduzida como cultivo propriamente dito no Continente americano.
A bananeira, como já foi dito,é uma planta típica das regiões úmidas, com crescimento contínuo, hibernando somente em condições de temperatura ou umidade desfavoráveis. Sua altura varia de 1,8 a 8 m. Dada a característica de sempre emitir novos rebentos, o bananal é permanente na área, porém com as plantas se renovando ciclicamente. A planta tem um caule suculento e subterrâneo, cujo "falso" tronco é formado pelas bases superpostas das folhas, estas são grandes, de coloração verde-clara e brilhantes. Possuem flores em cachos que surgem em séries; são pequenas e envoltas por uma bráctea arroxeada, quando jovem, conhecida como "coração da planta".
Seus frutos, que podem ser apanhados quando ainda completamente verdes, nascem em grandes cachos, de aspecto e forma característicos, aparentemente por uma única vez (lembre-se que o tronco verdadeiro da planta é subterrâneo e continua brotando "novas" bananeiras).
A bananeira tem o fruto alongado, de casca mole, com a polpa carnosa de coloração amarelada, variável de acordo com a variedade. Quando não maduras, as bananas são, em geral, de cor verde e possue um sabor adstringente, isto porque antes de sua maturação as bananas se compõem basicamente de água e carbohidratos. A banana é um alimento energético, contém pouca proteína e gordura, e é rica em sais minerais com sódio, magnésio, fósforo e, especialmente, potássio. Há predominância de vitamina C, contendo também as vitaminas A, B1, B2, B6 e niacina, entre outras.
Com a maioria das cultivares, pode-se produzir, das bananas verdes, uma farinha extremamente nutritiva, que tem inúmeras aplicações na alimentação, desde o preparo de mingaus até biscoitos. Em seu processo de amadurecimento, a maior parte desse amido contido nas bananas transforma-se em açúcar, glicose e sacarose. E é por isso que, de maneira geral, a banana é uma das frutas mais doces entre todas as frutas.
A bananeira perdeu ao longo de sua longa existência a capacidade de se multiplicar por sementes. Hoje, excetuando-se algumas espécies silvestres, a bananeira só se multiplica por processos vegetativos, ou seja, através de rebentos nascidos de outras plantas ou por mudas. Como seus rebentos vão se distanciando pouco a pouco da matriz é necessário um controle sobre seu processo de propagação para que a cultura não se disperse pelo local do plantiu, dificultando tanto os tratos culturais como o controle fitosanitário.
A cultura pode ser implantada em todo o território brasileiro durante a estação chuvosa, produzindo o ano todo. As variedades mais cultivadas são: 'prata', 'nanica', 'maçã', 'terra', 'grande naine' e 'pacovã' (Veja abaixo maiores detalhes). Cresce em áreas com muito sol e não suporta solos encharcados. Tanto a banana 'nanicão' como a 'grande naine' necessitam de chuvas bem distribuídas durante todo o ano, ou irrigação com média de 180 milímetros por mês. O plantio deve ser iniciado com as primeiras chuvas, sempre que possível evitando-se começá-lo nos meses de baixa temperatura.
É importante que o bananal fornecedor de mudas não tenha doenças como o mal-do-Panamá, embora as variedades naine e nanicão apresentem alta tolerância à moléstia. Seu sintoma mais característico é o amarelecimento progressivo da folha, que se estende desde a beirada até a nervura principal. Em poucos dias, as folhas murcham, secam e ficam dependuradas, dando à planta atacada o aspecto de um guarda-chuva fechado.
Antes do início do plantio, também é recomendável a realização da análise de solo. Ela indicará como deverá ser efetuada a adubação e se há ou não a necessidade de aplicação de calcário Dolomítico para a correção do pH do solo. Isto se faz através de gradagem {que nada mais é do que o procedimento que aplaina a terra a ser lavrada através de um implemento agrícola chamado "grade" que é acoplada em um trator}, para melhor incorporação de nutrientes e corretivos. Os solos mais propícios para o bom desenvolvimento da cultura são os ricos em matéria orgânica, argilosos ou mistos, que possuam boa disponibilidade de água.
Atualmente, no Brasil, encontram-se bananas em qualquer parte, destacando-se as regiões Nordeste e Sudeste como as maiores produtoras nacionais da fruta. Bananas comestíveis são agrupadas em variedades de acordo com a consistência e a coloração da casca e da polpa. Mas, para cada função ou uso, uma é melhor do que a outra, respeitando-se as preferências regionais e pessoais. Bananas de mesa são, por exemplo, as variedades maçã, ouro, prata e nanica - que, na verdade, é grande, levando esse nome em virtude da baixa altura da planta em que nasce.
Cultivares:
Para exportação e mercado interno:
Grande Naine, Jangada, Lacatan, Nanica, Nanicão, Poyo, Piruá, Valery e Willians;
Para o mercado interno-mesa:
Branca, Colatina Ouro, Enxerto (Prata Anã), Grande Naine, Leite, Maçã, Mysore, Jangada, Nanica, Nanicão, Ouro, Ouro da Mata, Pachá Naadan, Padath, Platina, Poyo, Prata, Prata Zulu, São Domingos e São Tomé; E ainda:
Cultivares apropriadas para frituras:
Farta Velhaco, Figo cinza, Figo Vermelha, Maranhão, Ouro, Terra, Terra Caturra e Terrinha;
Para compota:
Grande Naine, Nanica, Nanicão, Ouro, Piruá, São Domingos e Valery;
Para doce em massa:
Branca, Grande Naine, Jangada, Nanica, Nanicão, Prata, Piruá, Valery e Willians
Para purê:
Grande Naine, Jangada, Lacatan, Nanica, Nanicão, Poyo, Piruá, Valery e Willians.
As principais variedades de bananas cultivadas no Brasil e vendidas ao mercado externo são a nanicão e a grande naine. Em regiões de clima subtropical, como o encontrado nos estados do Paraná, de São Paulo e de Santa Catarina, nem sempre a produção de banana para exportação é viável. É que, no período de inverno, parte da produção pode ficar comprometida em função das baixas temperaturas (inferiores a 15ºC). Durante épocas de geadas, os frutos não atingem o crescimento máximo, o que impede seu ingresso no mercado externo. Outra exigência do mercado internacional é a garantia da entrega do produto durante todo o ano. Os países que lideram as importações de bananas brasileiras são a Argentina e o Uruguai, cuja produção é escoada por terra.
As bananas entram como ingrediente em uma grande quantidade de pratos salgados típicos das culinárias regionais brasileiras e está, de forma marcante, presente nas refeições caseiras e nos "pratos feitos" servidos em bares e restaurantes, alimentando diariamente boa parte da população brasileira. A banana nanica ou prata, por exemplo, é comumente servida "in natura" para ser consumida durante as refeições.
Considerada, por muitos, a fruta perfeita, a banana é fruta de muitas qualidades: amadurece aos poucos, fora do pé, facilitando a colheita, o transporte e o aproveitamento; é fácil de mastigar, nem muito dura, nem muito mole; não dá trabalho para descascar; é fácil de comer e não suja as mãos com sucos e caldos; tem um gosto bom, nem doce demais, nem azeda; não é enjoativa ou indigesta; é altamente nutritiva, bastando umas poucas para matar a fome; é totalmente aproveitável e sem caroços; não tem espinhos, nem fiapos e nem bichos; nasce em todo tipo de solo e pode ser encontrada durante o ano inteiro.