H O M E

Averrhoa carambola L.


               A carambola pertence à família Averrhoaceae (Oxalidaceae), e é cientificamente conhecida como Averrhoa carambola L. e, devido ao formato estrelar do fruto quando cortado transversalmente, recebe o nome de "star fruit" em inglês e "carambolo" em espanhol.

               É originária da Malásia e Indonésia, de onde se expandiu para diversas regiões do mundo, sendo cultivada comercialmente na Austrália, nos Estados Unidos e em alguns países asiáticos. Foi introduzida no Brasil no início do século XIX através do Estado de Pernambuco de onde se dispersou pelo país e hoje é encontrado em todos os Estados. No entanto, seu plantio comercial só se dá em alguns municípios paulistas, sendo cultivado nos outros estados apenas em fundos de quintais e alguns pomares, apenas para consumo dos apreciadores desta fruta, ou ainda como árvore ornamental. Sua comercialização é efetuada em feiras livres e supermercados, sempre na forma "in natura".

               A caramboleira é uma árvore relativamente adaptável a diversas condições climáticas preferindo áreas com temperatura média de 25 ºC e precipitação pluviométrica acima de 1.000 mm bem distribuída. Por ser sensível ao frio, a caramboleira tem crescimento muito lento em regiões onde a temperatura mínima é inferior a 14 ºC . As baixas temperaturas podem afetar também a qualidade dos frutos com relação ao tamanho, doçura, acidez e sabor, além de reduzir a produção. Como a planta também não suporta ventos fortes, que diminuem sensivelmente a produtividade, seu plantio deve ser efetuado em locais protegidos dos ventos.

               É uma árvore de porte médio, que pode alcançar até 10 metros de altura, possue tronco tortuoso com ramos flexíveis; sua copa é densa e sua projeção também chega a ter 10 metros de diâmetro. As folhas são alternas com 5 pares de folíolos de 8 centímetros de comprimento.

               As flores nascem em cimeiras, (que é um tipo de inflorescência, cujo eixo tem crescimento limitado e termina por uma flor, sucedendo o mesmo aos eixos secundários, que parte do principal ), nas axilas das folhas e nos ramos terminais. São "cor de rosa", hermafroditas, perfeitas, com aproximadamente 8 mm de comprimento. Possuem usualmente 5 estames parcialmente unidos na base e pentalobados com pistilo composto. O estilete que suporta os estigmas pode ter as formas curto e longa.

               Estudos de polinizações conduzidos na Flórida, Estados Unidos, indicaram que os cultivares de estilete curto (que possuem estigmas localizados acima dos estames) são geralmente auto-incompatíveis ou podem apresentar polinizações deficientes e requerem polinização de tipos de estilete longo ( aqueles que possuem estigmas localizados abaixo dos estames) sendo estes auto-ferteis. Devido ao grande número de flores produzidas pela caramboleira, geralmente apenas 0,5% do total destas flores precisam ser polinizadas para que a safra seja satisfatória.

              O fruto é uma baga, oblonga com cinco ângulos agudos, em forma de estrela, num corte transversal, caracterizando a carambola e tornando-a inconfundível. Cada proeminência do fruto corresponde a um lóculo com duas sementes planas. O comprimento do fruto varia de oito a vinte centímetros e o diâmetro de cinco a oito centímetros. As sementes são pequenas, marrons, achatadas ou planas e medem de 0,8 a 1 cm de comprimento. Os frutos aparecem em cachos sobre os ramos, e algumas vezes, sobre o tronco.

               A cor do fruto, quando maduro, varia de verde-claro ao laranja. O período que vai da polinização ao fruto maduro varia entre 10 e 16 semanas, dependendo muito da temperatura local. A caramboleira apresenta diversos ciclos de floração e frutificação durante o ano, dependendo da região, e, as mais altas produções e de melhor qualidade são obtidas das flores provenientes das primeiras florações após o período de repouso da planta, que se dá sempre após o término do período chuvoso.

               A propagação da planta pode ser efetuada através do plantio de sementes, no entanto, as plantas provenientes deste tipo de propagação apresentam alta variabilidade, mesmo naquelas de estilete longo e portanto auto-ferteis. A melhor maneira de se propagar a caramboleira é pelo método vegetativo, por alporquia ou por enxertia, com garfagem de topo ou lateral, devendo-se evitar a borbulhia em placa. Se propagado através de sementes, a produção só irá começar a partir de 6 a 8 anos mas, se propagado por alporquia ou enxertia, o início da produção ocorre entre 2 e 3 anos, reduzindo bastante o tempo e, consequentemente, o início do retorno do investimento do agricultor. O solo para plantio da caramboleira deve ser profundo, de boa fertilidade e bem drenado, sendo preferível os areno-argilosos.

               O espaçamento para o plantio varia de 4m x 4m a 6m x 6m, ou até 8 x 10m, quando se vai efetuar poda mecanizada no pomar. Este deve ter formato quadrangular. Para o coveamento, as covas devem ter dimensões mínimas de 40cm x 40cm x 40cm; na sua abertura separar a terra dos primeiros 20cm de altura e , na hora do enchimento, colocar primeiro esta camada previamente separada juntamente com 300 gramas de calcário dolomítico e 20 litros de esterco de curral bem curtido; as covas devem ser abertas 30 dias antes do plantio. Um pouco antes do plantio misturar 300g de superfosfato simples e 100g de cloreto de potássio à terra separada do fundo da cova e lançar na mesma. Efetuar o plantio no início da estação chuvosa e em horas frescas do dia; retirar o saco plástico que vem envolvendo as medas com cuidado, plantar e irrigar a cova com cerca de 15 litros de água. A adubação é feita de acordo com a análise do solo, verificando-se as carências de nutrientes e a necessidade de adubação. Deve ser repetida a cada 2 ou 3 anos, para garantir a produtividade da cultura.

               Há a necessidade de podar os ramos em número excessivo (dentro da copa), os secos e doentes, pelo menos uma vez por ano, ao longo da vida da planta, raleando-se também sua copa e diminuindo-se seu tamanho. É recomendável manter a árvore com menos de quatro metros de altura, facilitando assim a colheita dos frutos que é efetuada manualmente bem como efetuar capinas e roçagens freqüentes na cultura, procurando manter uma cobertura morta em torno das plantas. Em caso de falta de chuvas irrigar a cova, semanalmente, com 20 litros de água por 4 a 6 semanas. Manter "coroamento" em torno da muda. Cada pé de carambola produz, em média, sete caixas de 15 quilos, por safra. A caramboleira começa a dar frutos a partir do terceiro ano e continua produzindo por mais de 30 anos.

               As doenças que atacam o pomar de carambolas, por ser uma cultura pouco explorada, ainda são poucas e não representam prejuízo para o agricultor. A maior preocupação é com relação à mosca-da-fruta, que também ataca e danifica a carambola quando o fruto já está formado. O controle da praga é feito a partir de armadilhas luminosas instaladas no próprio pomar.

               Caramboleiras selecionadas na Austrália produzem frutos com peso médio variando de 90 a 300 gramas, contendo açúcares de 8,2 a 12,6 ºBrix. A variedade conhecida como Taiwan produz durante todo ano nos municípios paulistas, com pico nos meses de dezembro a fevereiro. Outras variedades estão sendo introduzidas no Brasil, como a Golden Star, variedade americana que já é cultivada ha bastante tempo no sul do país, possui frutos mais ácidos que a Taiwan. Variedades asiáticas, como a B-10 e outras, também estão sendo introduzidas e aclimatadas.

               O fruto apresenta, em 100 g. de suco, 0,04 a 0,7 gramas de ácido oxálico; pH entre 2,4 e 5,0; ºBrix de 5 a 13, açucares totais em torno de 3,5 a 11,0; 0,75% de proteína; 560 UI de vitamina A. A polpa do fruto é consumida fresca ou acondicionada em recipientes que conservem suas características organolépticas, ou na fabricação de geléias, molhos, compotas e picles. O conteúdo do suco se situa entre 60 a 75% do total do fruto, e seu sabor pode variar de doce a muito ácido e constitui uma boa fonte de vitamina C sendo a polpa rica em oxalato de cálcio.

               De sabor agridoce, cor variando do verde ao amarelo, dependendo do grau de maturação, rica em sais minerais (cálcio, fósforo e ferro) e contendo vitaminas A , C e do complexo B, a carambola é considerada uma fruta febrífuga (que serve para combater a febre), antiescorbútica (que serve para curar a doença escorbuto - carência de vitamina C, e que se caracteriza pela tendência a hemorragias) e, devido a grande quantidade de ácido oxálico, estimulador do apetite, sendo ainda usada pela medicina popular no tratamento de afecções renais. Seu suco, além de possuir um delicioso sabor, é usado para tirar manchas de ferro, de tintas e ainda limpar metais. Sua casca, por possuir alto teor de tanino, cujo poder adstringente pode prender o intestino, é utilizada como antidesintérico.

               Pode ser consumida ao natural ou no preparo de geléias, caldas, sucos e compotas. Cortada em fatias e deixada no fogo brando com açúcar, fica quase da mesma consistência e sabor do doce de ameixa-preta. Na Índia e na China são bastante consumidas como sobremesa, assim como as flores e os frutos verdes, que são utilizados nas saladas.