H O M E

 

Ananas comosus (L.) Merril.

               O abacaxi é uma das fruta tropical mais famosas, cuja planta (abacaxizeiro) pertence a família das bromeliáceas. Há quem afirme que o abacaxi é nativo do Brasil, outros que ele é originário da América Central e do México, e ainda, que sua origem se deu no sul da América do Sul, da região onde hoje fica o Paraguai, de onde foi carregado por toda a América pelos índios guaranis até a região da América Central e Caribe muito antes da chegada dos europeus. Para os indígenas de língua guarani, seu nome significava "fruta saborosa", de onde derivou a palavra ananás, como são ainda conhecidas algumas de suas espécies silvestres. Mas foi "iuaka'ti" ou "fruta cheirosa", outra de suas denominações indígenas, que deu origem à palavra abacaxi em português.

               Espécie de fruto de fácil dispersão e cultivo, o abacaxi foi levado pelos antigos navegadores para os diversos continentes, chegando "para ficar" na África, na China, em Java, na Índia e nas Filipinas. Nesses locais o abacaxi se propagou com facilidade e rapidez, tendo sido muito bem aproveitado nos últimos cinco séculos, e não apenas como saboroso fruto. A partir do século XVII iniciou-se na Inglaterra o cultivo do abacaxi em estufas especialmente preparadas para manter a temperatura equivalente à temperatura tropical de que a planta necessita para crescer. Com sua coroa espinheinta, passou a ser chamado, no feminino, de "a rainha das frutas". Transformado em iguaria de reis e rainhas, o abacaxi foi oferecido como símbolo de hospitalidade a convidados especiais da nobreza, também nas cortes européias. Na verdade, o abacaxi é uma infrutescência - cada gominho é um fruto independente que se juntou durante o processo de crescimento. (Veja o esquema)

               Pelo seu perfume delicioso, seu sabor acre-doce e seu valor nutritivo, ficou famoso no mundo todo. Na culinária tem vários usos e faz parte dos mais variados pratos, podendo ser consumido ao natural, como sobremesa ou no café da manhã.

               O Brasil, até 1994, estava entre os 20 maiores exportadores de suco de abacaxi do mundo, ocupando a décima posição, seus maiores compradores de polpa e de frutos "in natura" no ano de 1997 foram, respectivamente, a Holanda e a Argentina, sendo seguida pelo Uruguai. Os principais países produtores são, Tailândia; Filipinas; Brasil; China; Índia e Nigéria. Apesar de manter uma área de cultivo muito maior que os outros países produtores, o Brasil ainda não detém completamente as técnicas que permitem a alta produtividade obtida nos abacaxizais asiáticos.

               Basicamente, no Brasil, cultivam-se as variedades Pérola, a preferida pelo mercado in natura, e Smooth Cayenne ou Havaiana, que produz um fruto maior, mais ácido e resistente e que, por isso mesmo, é normalmente destinada à exportação e às indústrias de compotas e de sucos. Os Estados produtores de abacaxi são, em ordem de importância, Paraíba, Minas Gerais, Pará, Bahia, Espírito Santo, Maranhão e Rio Grande do Norte. O Estado de Minas Gerais liderou em área cultivada e em produção de frutos de abacaxi durante os anos de 1995 a 1997, superando inclusive os Estados do Pará (segundo maior produtor) e da Paraíba (terceiro maior produtor nacional, mas que detém a maior produtividade). Em 1997, a área plantada em Minas Gerais foi de 12,825 ha, com um rendimento de 24.191 frutos/ha, contra os 7.290 ha plantados na Paraíba, onde se obtiveram os maiores rendimentos do país (29.733 frutos/ha). — {breve estaremos atualizando estes dados}

               A cultura do abacaxi pode se desenvolver muito bem em áreas do semi-árido nordestino,se devidamente irrigada. Em trabalhos realizado com o cultivar 'Pérola", constatou-se que a irrigação teve efeito decisivo no desenvolvimento e na produção do abacaxizeiro, caracterizando a inviabilidade da exploração da cultura sem o uso de irrigação, em regiões de baixa pluviosidade. A faixa pluviométrica ideal para o cultivo desta cultura é entre 1.000 e 1.500 mm/ano, bem distribuídos. A demanda de água do abacaxizeiro varia de 1,3 a 5,0 mm/dia e está relacionada com as condições de solo, clima e o estágio de desenvolvimento da planta, sendo geralmente recomendada a aplicação de 60 a 120 mm de água por mês. Devido ao formato e à distribuição de suas folhas , o método de irrigação que mais se adapta ao abacaxizeiro é o de aspersão.

               Os períodos de diferenciação floral e de "enchimento do fruto" são considerados os mais críticos durante o ciclo da planta em relação aos efeitos negativos do estresse hídrico sobre o rendimento da cultura. Outros métodos de irrigação podem ser usados nesta cultura, como o do gotejamento e o do pivô central. Ambos entretanto ainda requerem maiores estudos. Considerando-se o problema da fusariose no país, o método de gotejamento pode ser o mais recomendado por promover a aplicação localizada da água.

               Alem de acelerar o crescimento da planta e aumentar o peso do fruto, a irrigação permite ainda que se faça, simultaneamente, a aplicação de fertilizantes (fertirrigação) e de defensivos agrícolas (inseticidas, fungicidas, etc.). A temperatura para o cultivo pode variar entre 22-32 ºC, sendo a temperatura ideal em torno de 29 ºC. No entanto, a cultura suporta temperaturas mais elevadas, desde que não ultrapassem os 40 ºC em média. Como a cultura é sensível a incidência direta dos ventos, podendo estes provocar tombamento de plantas, ressecamento das pontas e o ferimento dos bordos das folhas, propiciando a penetração de fungos, dificultar e diminuir a eficiência dos tratamentos fitossanitários, é recomendável o uso de quebra ventos para minimizar estes problemas.

               Estudos realizados no controle da floração natural do abacaxizeiro, cv. 'Pérola', no recôncavo baiano, determinou que o pachlobutrazol, nas concentrações de 100 ppm em 3 aplicações quinzenais pode inibir o florescimento precoce do abacaxizeiro, favorecendo assim a uma melhor programação da indução floral na cultura. A ocorrência da diferenciação floral natural, principalmente no inverno, dificulta a obtenção de frutos grandes. Isto também pode atrapalhar a programação da produção na entre-safra, onde os preços estão mais elevados. A época de floração do abacaxizeiro pode ser antecipada mediante a aplicação de fitorreguladores na roseta foliar ou com pulverizações da planta. Várias substancias podem ser utilizadas com o fim de induzir a floração, como o carbureto de cálcio (acetileno) - {que por ser mais barato é o mais utilizado no Brasil} -, o ethephon (ácido 2-cloroetilfosfônico) e o etileno. O carbureto de cálcio é aplicado na roseta foliar; já o etileno , o ANA, o ethephon podem ser pulverizados sobre a planta. A aplicação dos indutores florais deve ser feita à noite, das 20:00h às 5:00h da manhã, ou nas horas mais frescas do dia ou ainda, se possível, em dias nublados, em plantas bem desenvolvidas, com idade variando entre 7 a 14 meses, dependendo do manejo da cultura e principalmente do uso ou não de irrigação.

               A indução floral homogeneíza a floração trazendo economia de mão-de-obra no controle da broca do fruto e na colheita, alem de facilitar a programação da colheita em função do mercado consumidor. Outras vantagens podem ser citadas com o emprego da indução floral no abacaxizeiro. Em trabalhos realizados na cultura, determinou-se que o amadurecimento do fruto ocorreu no 105º dia após o florescimento, indicativo importante para uma programação da produção na entre-safra. As grandes exigências nutricionais do abacaxizeiro fazem com que a adubação seja praticamente uma constante nos plantios orientados para a exploração comercial.

               Estudos sobre a influencia do nitrogênio e da época de plantio sobre o crescimento vegetativo e a diferenciação floral natural do abacaxizeiro, constatou que, em Baurú/SP., a adubação nitrogenada complementar via uréia foliar não afetou o crescimento vegetativo e a diferenciação floral natural das plantas estudadas, no entanto, em estudos sobre níveis de adubação em alguns tipos de solos do Estado de Alagoas, e nestes estava incluído o latossolo vermelho amarelo, utilizando-se mudas do tipo filhote com peso variando entre 150 e 250g, determinou-se que a ausência de fósforo não prejudica a produtividade do abacaxizeiro cv. 'Pérola", e que, a fórmula 240-50-240, aplicada em três parcelas, aumentou significativamente o número de frutos de maior tamanho e valor comercial. Também o peso médio dos frutos aumentaram com os níveis crescentes de N e K.

               O abacaxi possui um alto teor de vitamina C, é rico em sais minerais (cálcio, fósforo e ferro), além de conter celulose (substância indispensável para o bom funcionamento intestinal) e bromelina (substância que facilita a digestão das carnes).

               Grande parte dos abacaxis comercializados no mercado brasileiro tem como origem as plantações do Nordeste, principalmente dos Estados da Paraíba e Pernambuco. Ele é classificado pelo tamanho como grande (mais de 1,5 kg), médio (entre 1,0 e 1,5 kg) e pequeno (menos de 1,0 kg) e, de acordo com a variedade, em pérola (formato cônico, coroa de menor diâmetro e coloração interna amarelo-pálida, quase branca), jupí (diferente do pérola no formato cilíndrico - mesmo diâmetro de cima a baixo) e havaí (formato cilíndrico, coroa de maior diâmetro, sem espinhos e coloração interna amarelo-palha ou mesmo amarelo-forte). O fruto tem maior valor comercial quando apresenta os seguintes padrões: tamanho grande (1,5 kg de peso), colocação amarelada na base (gomos amarelando), boa aparência física (sem manchas, ferimentos, podridão ou deformação), coroa firme e variedade pérola.

               Do seu plantio até a colheita leva-se em torno de 18 meses e sua oferta no mercado é forte nos meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro, média nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril, e fraca nos meses de maio, junho e julho. Para se escolher um bom abacaxi, não se pode considerar apenas sua cor, que varia muito dependendo da qualidade. O melhor e mais simples é verificar as folhas da coroa: o abacaxi está no ponto quando elas se soltam com facilidade. Também é possível perceber o ponto pressionando-se com os dedos: se ele estiver muito duro, ainda está verde.

               Quando o abacaxi está maduro demais, sua casca tem manchas escuras e partes amolecidas próximas à base, sendo menos ácidos os que possuem espinhos nas folhas da coroa. Como a deterioração do abacaxi começa em torno da coroa, ela só deve ser retirada no momento em que se for usar a fruta. Depois de cortado, deve ser guardado em recipiente fechado e mantido na geladeira. Quando ainda com casca, guarde na gaveta da geladeira. No caso do enlatados, depois de aberta a lata, coloque em outro recipiente junto com a calda e mantenha também na geladeira.

               Além de ser consumido ao natural ou em pratos salgados, saladas e bebidas, o abacaxi também pode ser encontrado enlatado, em calda, em sucos concentrados, geléia, doce em pasta e cristalizado, sorvetes etc...