
Psidium guajava L.
A goiabeira pertencente à família das mirtáceas figura entre as plantas tropicais. É uma planta perene, de porte arbustiva ou semi - arbórea, com 3 a 10 m de altura quando adulta; possui caule tortuoso com casca escamosa de cor avermelhada, folhas pilosas na parte superior, especialmente quando jovens. Fores branco-esverdeadas com numerosos estames formando tufos de base amarelada.
Nativa da América tropical, situada entre o México e o Brasil, adapta-se muito bem em qualquer local ou região brasileira, mas considera-se ideais os locais com precipitação média anual superior a 1. 000 mm, bem distribuída, e temperatura média anual entre 18 e 28ºC. Não tolera geadas e ventos frios. Os solos, argilosos ou arenosos, devem ser devem ser profundos e bem drenados, pois a goiabeira não prospera em terrenos encharcados, pantanosos, mal arejados ou impermeáveis. Os frutos quando maduros, são muito aromáticos e variáveis em seu tamanho, forma, sabor, peso e coloração de polpa, que pode ser branca, creme, amarela, rosa, rosa-escuro, laranja-avermelhado ou vermelha. Possuem casca lisa ou ligeiramente enrugada e a cor pode variar entre o verde, o branco ou o amarelo.
Sua propagação é feita normalmente por sementes, mas recomenda-se a enxertia por borbulhia ou garfagem. Pode-se ainda utilizar a estaquia herbácea, com dois pares de folhas, colocando-se as estacas em câmara de nebulização, e aplicando-se hormônios promotores de enraizamentos.
A semeadura pode ser realizada, nas regiões mais quentes, em qualquer época do ano. Quando as plantinhas atingirem 5 cm de altura, transplantar as mais vigorosas para sacos plásticos ou laminados mantendo-as em viveiros até atingirem 25 cm de altura. São necessárias 10 g de sementes para a produção de 300 a 400 plantinhas mais vigorosas na sementeira.
Recomenda-se plantar no início das chuvas, em covas de 40 x 40 x 40cm, retirando-se a embalagem tomando os devidos cuidado para não destruir o torrão e manter o nível da cova ligeiramente acima do nível do terreno. Caso não ocorram chuvas, irrigar abundantemente. É necessário que se faça uma bacia em torno da muda suficiente para conter cerca de 20 litros de água, e, se necessário, colocar uma cobertura morta para manter a umidade. A goiabeira entra em plena produção a partir do terceiro ano.
O espaçamento recomendado para o plantio industrial é de 5 x 8 m ou 7 x 7 m (250 ou 204 plantas /ha) e, para produção de goiaba para o consumo "in natura" o espaçamento deve ser de 5 x 6 m (330 plantas/ha). Evite as baixas densidades ou adensamentos extensivos, isto causa desperdício de terreno e aumenta a necessidade da execução de numerosas podas. Deverá ser efetuada uma poda de formação, seja qual for a finalidade da cultura. Além desta, deve ser eliminados, através de podas periódicas, os ramos defeituosos, secos ou baixos. Quando destinada à produção de frutos de mesa, as podas (longas) deverão ser feitas anualmente, no inverno, encurtando-se os ramos do ano anterior e procurando dar um melhor arejamento à planta, eliminando-se os galhos internos improdutivos (ramos ladrões). Existe tambem a poda de frutificação, que consiste em cortar a ponta dos ramos produtivos, contando-se 3 (três) pares de folhas e efetuando-se o corte aí (Não é necessário que se corte TODOS os ramos, mas corte o maior número possível). Esta poda deve ser precedida por um extresse hídrico - no mínimo 20 dias. Depois da poda, irrigar abundantemente.
As adubações deverão ser efetuadas sempre de acordo com as análises químicas do solo. Apenas como sugestão, pode-se adubar 20 a 30 dias antes do plantio colocando-se ,na cova, de 15 a 20 litros de esterco de curral ou 3 a 5 litros de esterco de galinha, ou ainda, torta de mamona misturada com 200g de P2O5 e 3g de Zn (nas formas de óxido de sulfato) e a terra de superfície. E, de acordo com o resultado da análise de solo e com a produtividade esperada (20 a 50 t/ha), aplicar anualmente nas plantas adultas, 80 a 160 Kg/ha de N, 20 a 140 Kg/ha de P2O5, e 30 a 160 Kg/ha de K2O, em três parcelas, no início e durante as chuvas, na projeção da copa.
O controle de pragas e doenças deve ser efetuado de acordo com as indicações de um Engenheiro Agrônomo. É muito perigoso o manuseio de inseticidas por parte de pessoas sem o devido conhecimento técnico dos mesmos. As principais pragas são: mosca-das-frutas (pode-se ensacar os frutos para evitar o ataque); brocas (colocar um algodão embebido com gasolina dentro do orifício feito pelo inseto, no caso de broca de tronco, em se tratando de broca dos ramos, adotar medidas profiláticas - poda, retirada e queima dos ramos afetados);
Para o controle de doenças como a ferrugem, antracnose, verrugose e a seca bacteriana dos ramos, consulte um Agrônomo.
ATENÇÃO A goiabeira é uma hospedeira preferencial de mosca-das-frutas, principalmente das espécies Anastrepha obliqua e A. fraterculus.
Cultivares: IAC-4, Rica, Paluma, Monte Alto Vermelha, Ogawa, Guanabara, Kumagai, Ruby Supreme, Webber Supreme, Indiana Vermelha.
A goiaba pode ser consumida ao natural, mas também é excelente para se preparar doces em pastas, sorvetes, coquetéis e a tão conhecida goiabada. Ao natural contém bastante vitamina C e quantidades razoáveis de vitaminas A e do complexo B, além de sais minerais, como cálcio, fósforo e ferro ( Veja o quadro!). De modo geral, não tem muito açúcar e quase nenhuma gordura, sendo indicada para qualquer tipo de dieta e, de preferência, deve ser comida crua, pois é a forma em que conserva todas as suas propriedades nutritivas. É contra-indicada apenas para pessoas que tenham o aparelho digestivo delicado ou com problemas intestinais.
Por ser muito rica em Vitamina C, é importante no combate às infecções, hemorragias, fortalecimento dos ossos e dentes e na cicatrizaram de cortes e queimaduras, como auxiliar na produção de colágeno, melhorar a absorção de ferro, aumentar a imunidade contra doenças bacterianas e virais, entre outras. Contém também niacina, que mantém a saúde da pele, nervos e aparelho digestivo e quando consumida com a casca é rica em fibras, importantes para o bom funcionamento intestinal.
As folhas e os botões florais da goiabeira são de ampla utilização na medicina caseira, sendo a sua infusão comumente aplicada no tratamento de desarranjos intestinais, especialmente infantis. A espessa, porém tenra, casca de seus frutos contém altos teores de tanino, o que a torna indicada para a indústria cosmética, em formulações destinadas ao cuidado de peles oleosas e em preparados antitranspirantes.
A goiaba quando é de boa qualidade, tem formato regular, não apresenta machucados nem marcas de insetos, a casca não deve estar amassada nem ter cortes, e deve ser firme, sem chegar a ser dura. A fruta não deve estar nem muito verde nem muito madura, pois em ambos os casos perde o sabor rapidamente e seu valor nutritivo diminui. Para guardar, lave bem as goiabas e enxugue. Depois, coloque na gaveta da geladeira, pois a fruta se estraga com muita facilidade. Se a goiaba não for consumida logo e começar a ficar passada, use-a para fazer doces.