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UMA PERSPECTIVA PARA A FRUTICULTURA NORDESTINA

                    A Fruticultura no Nordeste Brasileiro constitui atividade econômica bastante promissora, devido à excelente qualidade de seus frutos e sua enorme diversificação. A cajarana (Spondias sp), também conhecida como umbu-cajá ou cajarana do sertão, pertence a família Anacardiacea , à qual pertence também outras espécies como umbu (Spondias tuberosa), siriguela (Spondias purpurea) e cajá (Spondias lutea). Tal espécie, no Brasil, pode ser encontrada nas diversas regiões em estado nativo. Raramente são verificados cultivos racionais, usando-se comumente como cercas vivas, para sombreamentos ou quebra-ventos.

                                        Pelas suas qualidades organolépticas e preferência na utilização de sucos, sorvetes, geléias, dentre outros subprodutos no contexto das populações nordestinas, a cajarana destaca-se dentre as demais frutas, seja do gênero Spondias como de outras espécies afins. O conhecimento do valor nutritivo desses frutos assume importância considerável, pois alimentação adequada e aplicação de métodos tecnológicos eficientes só se tornam possíveis mediante conhecimento do valor nutricional dos alimentos.

                    Na época de sua safra que é rápida e normalmente ocorre no período das chuvas (inverno), não perdura por mais de 3 meses. É mais comercializada, em feiras livres, para consumo "in natura", sendo também acondicionada em sacos plásticos sob a forma de polpa e congelada. Em razão da grande procura e comercialização efetiva, algumas empresas tem-se mostradas interessadas na sua industrialização.

                    Infelizmente, poucos são os estudos realizados no sentido de racionalizar o cultivo desta frutífera, e por outro lado, basicamente toda a produção é oriunda de plantas nativas e dispersas nesta grande área do Nordeste brasileiro. É uma frutífera de porte relativamente elevado e copa aberta, 12 a 16 m de diâmetro, tendo em média 8-12 m de altura. Seu tronco é semi-reto e apresenta casca acinzentada, rugosa e grossa.

                    Seu fruto é uma drupa, constituído por endocarpo rígido e lenhoso, cujo interior pode existir ou não presença de sementes. Apresenta coloração verde quando imaturo, passando para o amarelo ou alaranjado quando maduro, tendo casca fina, lisa e polpa suculenta de sabor variando de ácido a adocicado, chegando a pesar em média 22 g e diâmetro médio aproximado de 35 mm. Suas folhas são compostas, de base assimétrica e dotadas de 5-13 folíolos, flores alvas e pequenas, reunidas em panículas terminais de 5-22 cm de comprimento.
                    A planta apresenta característica xerófila, perdendo suas folhas no período seco do ano, que na região semi-árida nordestina corresponde ao período que varia entre os meses de julho a dezembro, vindo a iniciar o florescimento e recompor a folhagem quando das primeiras chuvas. Nessa região, o período de floração e frutificação ocorre em meados de fevereiro indo até o mês de junho, embora se verifique alguns exemplares florescendo e frutificando mais tardiamente.
                    A colheita é feita quando os frutos amadurecem e caem naturalmente no solo. Em um mesmo cacho, encontram-se frutos já maduros, e imaturos contendo até 150 frutos.
                    A estaquia é o método mais utilizado na propagação do umbu-cajá. Os agricultores, na obtenção de estacas, utilizam aquelas de maiores diâmetros e tamanhos, o que, de certo modo, acarreta numa destruição parcial da planta matriz, evidenciando mais uma vez, a carência de estudos sobre o manejo da cultura.

                   De acordo com os resultados de pesquisas realizadas pelo Setor de Horticultura da Escola Superior de Agricultura de Mossoró-ESAM, pode-se recomendar o plantio de estacas retiradas de plantas em repouso vegetativo, plantas sem folhas, com comprimento médio de 25cm e diâmetro variando de 0,5 a 4,0 cm. As estacas são plantadas em sacos de polietileno com dimensões de 20 x 35 cm, contendo substrato composto de solo da região mais esterco de gado na proporção de 2:1. Após 5 meses, as estacas estão aptas para ir ao campo, ou seja, quando já estão enraizadas.
                    O espaçamento de plantio pode ser o de 15 x 15 m, preparando-se as cova com antecedência e nas dimensões de 60 x 60 x 60 cm, com enchimento de 10 litros de esterco de gado por cova. Dados de produção por planta é variável, porquanto, depende de vários fatores. Informações pessoais obtidas do empresário Marcelo Ramalho Dantas, no Estado do Ceará, a produção pode chegar até 1.200 Kg por planta, em condições de sequeiro e precipitação média anual variando de 400 - 700 mm.