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Anacardium occidentale L.

               O cajueiro pertence ao gênero Anacardium da família Anacardiacea. Esta família compreende cerca de 60 a 70 gêneros e 400 a 600 espécies. Referências bibliográficas, distribuição geográfica, comportamento ecológico, padrões de variação da espécie, utilização humana entre outros itens, indicam o norte da América do Sul - mais especificamente a Amazônia brasileira - e parte da América Central como centro de origem do cajueiro. A palavra caju, provém do idioma tupi e significa, segundo alguns estudiosos, fruto amarelo. Outros dizem ser oriunda da palavra acaiu que significa "noz que se produz". O cajueiro é cultivado em 26 países, embora em termos de importância sua exploração restrinja-se à Índia, Brasil, Vietnã, Tanzânia, Indonésia, Moçambique e Guiné-Bissau.

               Planta perene, de ramificação baixa e porte médio cuja copa atinge, no tipo comum, altura média de cinco a oito metros, e diâmetro médio (envergadura) entre 12 e 14m. Apresenta copa proporcional ao seu tamanho, arredondada chegando a alcançar o solo. Tronco geralmente tortuoso e ramificado. Folhas róseas quando jovens, verdes posteriormente. Flores pequenas, branco-rosadas, perfumadas, surgindo de junho a novembro.

               O cajueiro é uma planta andromonóica, ou seja, possue flores masculinas (estaminadas) e hermafroditas numa mesma panícula. O fruto, um aquênio reniforme, consiste do epicarpo, mesocarpo, endocarpo e a amêndoa que é coberta por uma panícula. O mesocarpo é constituído por uma camada de células esponjosas onde localiza-se o LCC (Líquido da Casca da Castanha). Este fruto pequeno, de coloração escura e consistência dura é sustentado por uma haste carnosa e suculenta bem desenvolvida, de coloração amarela, alaranjada ou vermelha. Da haste (o pseudofruto) obtém-se matéria-prima para o fabrico de sucos, doces, etc. O verdadeiro fruto é a conhecida castanha-de-caju. Os frutos amadurecem, no cajueiro comum, de setembro a janeiro, juntamente com o pseudofruto, muito utilizado para consumo "in natura".

               A planta se desenvolve melhor em solos profundos, bem drenados, com boa reserva de nutrientes e que não apresentem toxidez por alumínio; são inadequados ou de uso restrito aqueles excessivamente ou imperfeitamente drenados. Solos com algum substrato rochoso, ou outro impedimento, a uma profundidade de até 150cm também não são recomendados ou têm indicação de uso restrito. Os solos ideais são os de textura areia-franca ou franco-arenosa com menos de 15% de argila; e até à profundidade de 150cm ocorram horizontes ou camadas em que a quantidade de argila é igual ou maior do que 15% e não ultrapassa a 40%; ou, ainda, apresentem nesta profundidade uma das texturas seguintes: franco-argilo-siltosa, franco-siltosa ou silte.

               O plantio da cultura deve ser realizado no início das estação chuvosa, com teor adequado de umidade do solo. Quando as mudas forem formadas em sacos plásticos, utiliza-se coveamento, em solos argilosos, com dimensões de 50cm X 50cm X 50cm. Em solos arenosos, são suficientes covas com 40cm X 40cm X 40cm. Quando as mudas forem produzidas em tubetes, estas dimensões podem ser reduzidas.

               Nos plantios sob sequeiro, é importante o emprego de cobertura morta, visando a manutenção da umidade do solo. Em áreas onde se faz o emprego da irrigação, o plantio pode ser feito em qualquer época. As adubações de fundação e pós-plantio devem ser fundamentadas em análise de solo e sob a orientação de um Engenheiro Agrônomo.

               Evitar as regiões nas quais as chuvas não atingem 600 mm, especialmente se o cultivo for feito sob regime de sequeiro. Neste último caso, a precipitação pluvial adequada está na faixa de 800 a 1600 mm anuais. A temperatura média de 27°C é a mais apropriada para o cajueiro, apesar de suportar temperaturas médias mais elevadas (33° a 37°C). É conveniente também que se evite o plantio em regiões com ventos muito fortes, responsáveis pela queda de flores e frutos jovens, além do tombamento de plantas novas. Locais onde ocorrem ventos com velocidade superior a 7 m/s não são recomendadas para o plantio do cajueiro.

               A colheita dos frutos tem início dois a três meses após o florescimento, sendo totalmente manual. Nas regiões onde é possível o aproveitamento do pedúnculo para a extração do suco, faz-se a colheita no período da manhã. Após o descastanhamento (separação das castanhas dos pedúnculos), estas são acondicionadas em caixas e enviadas para a indústria, onde serão processadas. Após colhidas, as castanhas devem submetidas a um processo de secagem ao sol durante dois ou três dias.

               O pseudofruto do cajueiro - que contém vitamina C em quantidade para perder apenas da campeã acerola - tem incontáveis usos e, embora alcance pouco valor no mercado externo, é muito apreciada no Brasil. Além do consumo natural como fruta fresca, ele pode ser utilizado na fabricação dos mais variados doces e bebidas. O suco fresco, clarificado, engarrafado e cozido em banho-maria, dá a cajuína, bebida refrescante, saborosa, semelhante ao suco de maça clarificado, é um produto natural sem aditivos químicos.

               Também é produzido com o suco do cajú, um tipo de vinho denominado mocororó. O mocororó é o suco de caju fermentado, cru ou cozido. Do suco de caju, também podem ser produzidos vinho, vinagre, aguardente e licores. Porém, o derivado do pseudofruto de maior importância econômica é o suco integral industrializado, de grande aceitação no mercado nacional, o qual precisa ser diluído e adoçado para o consumo. Encontra-se também no mercado o suco pronto para beber, geralmente em embalagem longa vida, denominado néctar de caju. O pseudofruto tambem é muito utilizado na alimentação de bovinos, eqüinos e caprinos, como complemento energético.