
Malus domestica Bork

Acredita-se
que a evolução da macieira tenha ocorrido acerca de 25 milhões de anos,
com origem entre o Cáucaso, e o Leste da China. No Brasil, os primeiros
cultivadores que chegaram da Europa durante os anos 20, com o objetivo
de se estabelecerem plantações comerciais, foram instalados no sul de
Minas Gerais, na região de Maria da Fé. Ali, as macieiras se deram muito
bem, em virtude da altitude e do clima que se aproxima ao das regiões
temperadas. Também, no município de Valinhos, estado de São Paulo, por
volta do ano de 1926, com a criação da Estação Experimental de São Roque,
a macieira teve seus primeiros plantios, e, no ano de 1928, foram realizadas
as primeiras pesquisas com esta cultura pelo Instituto Agronômico de Campinas.
Atualmente a pomicultura é uma atividade bastante importante para o Brasil,
principalmente para os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul,
principais produtores de maçã.
A
macieira (considerada a rainha das frutas européias) é uma árvore que, dependendo
do cultivar, chega a 10 m de altura. Possue tronco de cor parda, lisa e copa
arredondada, suas flores são brancas ou róseas e aromáticas. É uma planta típica
de clima temperado, com exigência de um período de frio hibernal, normalmente
superior a 800 horas, com temperatura inferior a 7ºC, para uma superação da
dormência das gemas florais. Porém, não só as temperaturas de inverno como também
as de primavera e verão são importantes no desenvolvimento da macieira, que
necessita de uma temperatura de 18 a 23 ºC durante a fase vegetativa. Em boa
parte dos pomares de macieira no Brasil, há necessidade de aplicação de produtos
químicos para compensar a falta de horas de frio.
A
altitude, no caso da macieira, afeta o formato dos frutos, sendo que, em altitudes
maiores, os frutos apresentam formato mais cônico e, nas altitudes menores,
um formato mais achatado ou arredondado. A precipitação pluviométrica é outro
fator importante, uma vez que períodos de estiagens durante o crescimento dos
frutos podem afetar o tamanho final dos mesmos e a diferenciação das gemas para
o ano seguinte. Por outro lado, o excesso de chuvas prejudica a polinização,
causa asfixia de raízes e o aparecimento de podridões. A luz interfere na formação
de açúcares e na pigmentação da epiderme das frutas com película vermelha.
Os
solos mais recomendados para o cultivo da macieira são os sílicos-argilosos
e profundos, bem drenados e que possibilitem uma boa penetração do sistema radicular.
Esta espécie adapta-se muito bem em solos com alta, baixa ou média fertilidade,
porém, ocorrem variações no desenvolvimento das plantas. O sistema radicular
de uma plântula proveniente de sementes, inicialmente, é pivotante, porém, com
o desenvolvimento das raízes laterais, ocorre uma transformação para um sistema
radicular ramificado.
O
porte das plantas, a arquitetura e as características do tronco, ramos, folhas
e frutos estão intimamente relacionados com os fatores genéticos, tanto da copa
quanto do porta-enxerto utilizado, variando de acordo com o cultivar. A macieira
apresenta inflorescência do tipo umbela, composta por 6 a 8 flores. A maioria
dos cultivares de macieira necessita de polinização cruzada, devido a fatores
internos, como a auto-incompatibilidade, tipo e localização das flores, estrutura
da flor, entre outras, e fatores externos, como fatores climáticos, nutricionais,
fitossanitários, entre outros. As gemas floríferas responsáveis pela maior parte
da produção localiza-se nos ramos com 2 anos de idade. Os frutos derivam de
um ovário ínfero, e as partes extracarpelares compões a maior parte da polpa,
tendo grande variação de suas características com o cultivar utilizado.
A
principal forma de propagação da macieira é por enxertia, utilizando-se o método
de garfagem à inglesa, utilizando-se porta-enxertos clonais. Podem, também,
ser utilizados outros tipos de enxertia de garfagem e mesmo a borbulhia. Os
porta-enxertos clonais conferem diferentes características à copa, como controle
do vigor e resistência a pragas e doenças. Estes porta-enxertos são propagados
por via vegetativa, sendo que, na maioria dos casos, tem-se utilizado a mergulhia
de cepa. Existe uma série de porta-enxertos clonais que podem ser utilizados
para a macieira, porém, para as condições brasileiras, os mais recomendados
são: de porte anão = M-26; de porte semi-anões = M-7 e MM-106; de porte semi-vigorosos
= M-2 e MM-111; e por fim, os de porte vigorosos = MI-793, M-25 e Marubakaido
de origem japonesa. A mergulhia de cepa é realizada na primavera e, no inverno
seguinte, os porta enxertos estão prontos para serem enxertados.
Os
meses mais indicados para o plantio são julho e agosto (inverno) com uso de
mudas enxertadas de raízes nuas. As mudas devem ser plantadas em covas com as
dimensões de 60 x 60 x 60cm. É conveniente efetuar uma calagem em toda a área
do pomar três meses antes do plantio, utilizando-se calcário dolomítico na quantidade
recomendada pela análise do solo. As covas devem receber uma adubação básica
de 40 litros de esterco de curral, somados às quantidades de NPK (e micronutrientes)
indicadas pela análise do solo. O espaçamento comumente usado é de 6 metros
entre fileiras e 5 metros entre plantas. Há necessidade de poda de formação,
limpeza e frutificação para que a planta produza frutos de boa qualidade. Alem
disso, deve-se efetuar capinas periodicamente, para manter o pomar livre de
ervas daninhas. A irrigação do pomar, nos meses de baixa precipitação pluviométrica,
se faz necessário, principalmente no período de brotação.
É
necessário um calendário de pulverizações para combater as moléstias e pragas
da macieira. Normalmente, no inverno, pouco antes da poda, dá-se um "banho de
inverno" com calda sulfocálcica concentrada visando fazer uma limpeza de focos
de doenças e pragas. Durante o período vegetativo faz-se pulverizações com fungicidas
(Zineb, Captan, Mancozeb, etc) e inseticidas. Estas pulverizações devem ser
feitas sob orientação técnica de um agrônomo (Receituário Agronômico) e com
uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), visando a proteção do aplicador.
A
macieira é com certeza a fruta que engloba a maior quantidade de variedades
conhecidas; estima-se entre 5 e 20 mil. Dessas, 3 a 4 mil são cultivadas em
maior ou menor escala, em diferentes partes do mundo, e este número cresce a
proporção que vão sendo lançadas novas variedades pesquisadas e melhoradas em
estações experimentais do mundo inteiro. Basicamente as maçãs podem ser de três
tipos: de mesa, de cozinhar ou próprias à fabricação da sidra ou do vinagre.
Apesar das inúmeras variedades de maçã existentes, uma mesma árvore pode fornecer
frutos com diferentes aproveitamentos, de acordo com a sua classificação. Assim,
após passarem por uma primeira seleção, as maçãs cuja forma, cor, tamanho e
aparência da casca apresentem melhor aspecto comercial, são embaladas cuidadosamente
para o consumo "in natura", e as frutas com algum dano de qualidade ou fora
das especificações são destinadas ao fabrico de subprodutos tais como suco,
sidra, vinagre, álcool, geléias, compotas, doces, etc.
Embora
tenham sido testados diversos cultivares de macieira no Brasil, a pomicultura
nacional está baseada nos cultivares 'Fugi' e 'Gala', que representam mais de
85% da produção nacional. Estes cultivares apresentam excelentes características,
sendo que a coloração avermelhada da epiderme de seus frutos é que tem garantido
boa parte do sucesso destas variedades.
Cultivares
que apresentam frutos com epiderme de coloração verde, mesmo quando maduros,
como 'Golden Delicious', tiveram grande importância no passado, porem, atualmente,
no Brasil, só são utilizados como polinizadores.
Os
programas de melhoramento da macieira no Brasil visam à obtenção de cultivares
adaptados as condições de inverno ameno; resistentes a doenças, principalmente
a sarna e à podridão amarga; produtivos; com frutas de boa conservação em, câmaras
frias e, preferencialmente, de película vermelha.
Atualmente
existem diversos cultivares com algumas dessas características, como, por exemplo,
'Dulcina', 'Delícia', 'Culinária', 'Rainha', 'Bonita', 'Centenária', 'Galícia',
'Marquesa' e 'Soberana', lançados pelo Instituto Agronômico de Campinas, em
São Paulo. O IAPAR, no Paraná, lançou os cultivares 'Eva', 'Anabela' e 'Carícia'.
Em Santa catarina, na cidade de Caçador, a EPAGRI lançou os cultivares 'Princesa',
'Primícia', 'Fred', 'Hough', 'Condessa', 'Duquesa', 'Imperatriz' e 'Catarina'.
Até
poucos anos o Brasil importava toda a maçã consumida no país. Hoje somos, praticamente,
auto-suficientes nesta cultura, que é, basicamente, consumida na forma "in natura".
Com o aumento da oferta de maçã, o setor de industrialização também vem tendo
um aumento considerável, principalmente na produção de suco, polpa, iogurte,
sorvete, maçã desidratada, entre outros.
Na
medicina tradicional, a maçã costuma ser chamada de "a vassoura do corpo". Esse
conceito da maçã como alimento que limpa atualmente se apóia por nossa compreensão
emergente sobre fibras, antioxidantes e flavonóides de frutas. Estudos mostram
que a ingestão de maçã pode fazer diminuir a taxa de colesterol no sangue, especialmente
o tipo "ruim". Acredita-se que a pectina, uma fibra solúvel da maçã, tenha participação
essencial no caso, mas o efeito é mais forte cm a ingestão de maçã in natura
do que apenas do extrato de pectina em pó.
A
maçã também age contra a diarréia e constipação: A específica
combinação de tipos de fibras e ácidos de frutas na maçã é provavelmente responsável
por sua conhecida capacidade de prevenir e tratar a constipação. A pectina líquida-gel
e as propriedades antiviróticas naturais na maçã explicam o uso tradicional
para a diarréia.
Tradicionalmente
usada para artrite, reumatismo e gota: Os benefícios da maçã
para digestão e remoção de substâncias indesejáveis pelo corpo contribuem com
sua forma de ajudar problemas de juntas. Isso talvez se deva à combinação de
ácidos de frutas que melhoram a digestão, ao efeito antioxidante do flavonóide
querectina e à habilidade da pectina de aumentar a eliminação.
Pode
melhorar as defesas contra doenças: A polpa, a casca e o suco
(mesmo quando pasteurizado) da maçã contêm substâncias que em testes feitos
com seu suco destruíram o vírus do pólio e de vários tipos de intero-vírus,
como o da meningite. Em testes semelhantes, o suco fresco e a pectina tiveram
ação anticancerígena.