Artocarpus altilis (Park) Fosberg
De origem polêmica, a fruta-pão foi introduzida no continente americano com o intuito de alimentar os escravos. Segundo algumas versões, esta fruteira seria originária principalmente das ilhas de Java e Sumatra, segundo outros pesquisadores, ela seria originária da Malásia, de onde teria sido levada para a Polinésia, e se difundida pelo mundo. Conhecida pelo nome científico de Artocarpus altilis (Park) Fosberg, ou Artocarpus incisa, denominação usada por antigos pesquisadores, a fruta-pão pertence à família das moráceas, que é a mesma da jaca.
Em todas as línguas sua denominação popular é idêntica. Na Polinésia seu cultivo tem extraordinário valor, a ponto de se admitir que certas tribos não poderiam sobreviver sem tal árvore. É muito rica em hidratos de carbono, vitaminas do complexo B, ácido ascórbico (Vitamina C), cálcio, fósforo e ferro, daí se constituir na base alimentar dos povos de várias ilhas do Pacífico. Sua introdução no Brasil também se constitui numa polêmica. De acordo com uma das versões, a planta teria sido introduzida provavelmente no início do século XIX, com a vinda de D. João VI, pois a corte portuguesa foi responsável pela introdução de plantas de valor econômico no país.
Segundo outros estudiosos, as primeiras árvores teriam sido trazidas pela Guiana Francesa, em 1801, pelo então governador de Pará, Dom Francisco de Souza Coutinho, que teria enviado semente também para o Maranhão. No entanto, relatos datados de 1797 sobre novas culturas, alem da canela, cravo-da-índia e noz-moscada, cita também a "árvore do pão", sugerindo a existência desta fruteira no Brasil muito antes do citado pelos pesquisadores.
Apesar de ter se adaptado muito bem no Norte e no Nordeste brasileiro, principalmente por se desenvolver bem em clima quente e úmido, a fruta pão nunca se tornou popular no país, nem chegou a ser explorada comercialmente, pois na época de sua introdução já eram aproveitadas muitas plantas produtoras de amido, como a mandioca, o cará o inhame e a batata-doce, de cultivo mais simples e colheita rápida. No Pará, sua aclimatação foi tão bem sucedida que se tornou praticamente uma árvore espontânea.
Mesmo em número reduzido, também é encontrada nos pomares do litoral dos Estados da Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, sendo encontrada desde o Estado de São Paulo até o extremo Norte do pais, desenvolvendo-se melhor nas regiões baixas e chuvosas. Pouco consumida, a fruta-pão não se integrou à agricultura nacional, ao contrário do que ocorreu no Caribe, onde foi introduzida em 1792 pelos ingleses e tornou-se parte dos hábitos alimentares da população. Hoje, é uma cultura em extinção no Brasil, limitada ao consumo doméstico ou local.
Embora nunca tenha sido explorada economicamente, já conheceu dias melhores. Era plantada nos quintais e vendida em feiras livres. Com o crescimento urbano vertical nas principais capitais nordestinas nos últimos anos, os pomares caseiros desapareceram, e com eles, os pés da fruta.
Árvore de crescimento rápido, atingindo em média 25 a 30 metros de altura, com copa mais ou menos frondosa, de vida longa, chega a durar cerca de 80 anos, e considerada por muitos como ornamental, embora nunca tenha conseguido espaço em parques, praças, ruas e avenidas das cidades brasileira. Suas folhas são grandes, variando de 40-75 cm de comprimento e 25-45 cm de largura, com limbo elíptico, profundamente dividido em 7, 9, ou 11 lobos, pecíolo e nervura central robustos.
A inflorescência é monóica, sendo que as flores masculinas crescem dentro de uma espécie de clava flexível, de 20 a 30 cm de comprimento, de coloração amarelada, enquanto que as femininas agrupam-se formando capítulos de conformação subglobosa ou ovóide, composta de inúmeras flores unicarpelares, envolvendo um receptáculo globoso. Suas inflorescências são fecundadas por insetos e a frutificação começa a partir do sexto ano.
Ramifica-se abundantemente, quase a partir do nível do solo. Seu fruto é um sincarpo globoso, de conformação e peso variável, podendo conter ou não sementes, daí a existência de duas variedades:
variedade Apyrena, caracterizada por não possuir sementes; e a
variedade Seminífera, que é a fruta-pão com sementes.
A apirena, variedade comercial sem sementes, cultivada nas Antilhas, é a mais plantada no Brasil. Corretamente adubada, pode produzir em quatro ou cinco anos. Sua propagação é feita assexuadamente, utilizando-se sua capacidade de produzir brotações ou rebentos das raízes, os quais são retirados em dias chuvosos e encanteirados diretamente no solo ou em sacos de polietileno previamente preparados com um substrato composto de areia adubo orgânico bem curtido e cinzas, na proporção de 2:1:1, bem peneirados. Caso não se constate brotações, as mesmas podem ser provocadas, machucando-se, ferindo-se, ou mesmo anelando-se as raízes de uma planta adulta.
Apesar de ser um método comum e bastante utilizado pelos agricultores, é um processo muito lento, principalmente quando se necessita de um número elevado de mudas. Como não poderia deixar de ser, alem do valor alimentar que possui, a farmacopéia popular tem utilizado diversas partes da fruta-pão no uso medicinal.
A raiz serve como antidiarréicas e seu cozimento é útil contra o reumatismo, beribéri e entorpecimento das pernas.
As flores, quando novas são consideradas emolientes e formam a base de uma conserva acidulada e comestível.
Os frutos, reduzidos a pasta e bem quente, constituem-se num bom supurativo, principalmente para tratamento de tumores e furúnculos.
As sementes são consideradas como um bom tônico para o estômago e rins. Postas em emulsão, são recomendadas para combater os corrimentos do aparelho gênito urinário.
O látex é usado como cicatrizante de feridas e é considerado eficaz contra hérnias das crianças, quando aplicado com cinta própria. Também é usado para calafetar barcos; na Índia e Ceilão serve para fazer cola. Pouco usada no Brasil, a madeira, macia e resistente a insetos, é própria para construção naval e civil, obras hidráulicas, marcenaria e até para fazer instrumentos musicais.