Annona muricata L.

               "Jaca de pobre", "Jaca do Pará", "Coração de rainha", "Araticum manso", são denominações atribuídas à graviola em diversas regiões brasileiras. Também conhecida por "Guanábana", "Guanaba" e "Zapote de viejas" nos países de língua espanhola, e por "soursop", em inglês. A gravioleira pertence à família Annonaceae, a mesma da pinha, da cherimóya, da atemóia entre outras, e recebe a denominação de Annona muricata L. nos meios científicos.

               A gravioleira é originária da América Central e dos vales peruanos. Os exploradores espanhóis conheceram a fruta e a acharam tão saborosa que a distribuíram para outras regiões tropicais do mundo, entretanto, existe controvérsias no que diz respeito à origem desta fruteira. Alguns pesquisadores acham que a origem da gravioleira se deu na América do Sul devido às formas silvestres encontradas na região Amazônica e, com estas fortes evidências, estes estudiosos tentam provar esta teoria.

               Esta fruteira é cultivada comercialmente na Colômbia, na Venezuela, em Porto Rico, no México, no Havaí e em algumas regiões da África e da Ásia. Foi introduzida no Brasil pelos Portugueses no século XVI, e atualmente é cultivada comercialmente principalmente nos Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Pará e Minas Gerais. Em muitas regiões nordestinas seu cultivo se restringe ao plantio caseiro ou em poucas unidades para a produção e comercialização, não sendo encontrado plantios de grande porte com esta cultura.

               A gravioleira desenvolve-se bem em regiões de clima tropical e subtropical, em altitudes inferiores a 1.200 metros. Prefere locais com umidade relativa do ar um pouco elevada pois, a baixa unidade relativa do ar pode ressecar os estigmas causando problemas na frutificação. Em locais com precipitações pluviométricas abaixo de 1.200 mm anuais, ou com pouca ou má distribuição das chuvas, recomenda-se a utilização da irrigação nos plantios pois, apesar de ter alguma resistência à seca, ela não produz com o solo muito seco.

               Adapta-se bem a diversos tipos de solo, desde que sejam profundos e bem drenados, e para um bom desenvolvimento da planta, este solo deve estar com o pH (acidez do solo) entre 5,5 e 6,5.

               Esta fruteira possui hábito de crescimento ereto. É considerada uma árvore de porte médio, podendo atingir até 8 metros de altura, com caule único e ramificado assimetricamente. As folhas são oblongas-lanceoladas ou elípticas, com 14 a 16 cm de comprimento e 5 a 7 cm de largura, e de um verde intenso.

               As flores são hermafroditas, geralmente nascem solitárias ou agrupadas em pares ou, mais raramente, em grupos de 4 flores. O cálice é constituído por três sépalas pequenas e a corola por seis pétalas carnosas formadas por dois verticilos. O receptáculo contém numerosos estames e cada um possui duas anteras que se abrem longitudinalmente para lançar o pólen. Os carpelos são numerosos e encontram-se agrupados na parte superior do receptáculo e acima dos estames.

               As flores da gravioleira abrem-se ao amanhecer quando as anteras estão iniciando a expulsão do pólen.

               A graviola (fruto) é uma baga composta ou sincarpo, ou seja, é um conjunto de frutos soldados entre si, procedentes de uma só flor como o fruto da cherimóya. Tem peso variando de 0,5 a 10 Kg, dependendo da variedade e das condições fitossanitárias nutricionais e climáticas, possui casca verde escura, quando verde, e verde clara, quando maduro.

               Do florescimento ao fruto maduro podem se passar, em média, 6 meses. A polpa é branca com sementes de 1 a 2 cm de comprimento, de cor marrom escura a castanho. A propagação da gravioleira pose ser efetuada através de sementes ou vegetativamente, por enxertia usando-se tanto a borbulhia como a garfagem.

               Para a formação de porta-enxertos, pode-se utilizar sementes de qualquer tipo de gravioleira, independente das suas características. As sementes devem ser colhidas de frutos sadios e maduros; seleciona-se as maiores sementes de cada fruto para o plantio, conferindo maior vigor aos porta-enxertos.

               A germinação ocorre entre 25 e 35 dias após o plantio e as mudas podem ser enxertadas, por garfagem, quando apresentarem 1 cm de diâmetro na altura da enxertia, que acontece aproximadamente após decorridos 1 ano, e, no caso da borbulhia, quando estas mudas atingirem pelo menos 1,5 cm de diâmetro.

               A produção começa após decorridos 18 a 24 meses do plantio e, a produção de um pomar comercial bem manejado pode atingir de 10 a 18 t/ha, aos 6 anos de idade.

               Não existem variedades geneticamente definidas, e a maioria dos pomares é formada de plantas propagadas por sementes havendo, portanto, inúmeros tipos que se diferenciam pela forma, sabor e consistência dos frutos.

               Foram introduzidas no Brasil algumas seleções como 'Morada', 'Blanca', 'Lisa', 'FAO I' e 'FAO II'. Destas, a 'Morada', pela sua elevada produtividade e por possuir frutos grandes, tem sido a mais procurada para os plantios comerciais no país inteiro.

               A graviola apresenta média de 65% de polpa e a polpa madura apresenta pH entre 4,2 a 6,3, acidez =0,90%, proteína = 0,62%, açucares redutores = 11,0% e vitamina C =20 mg/100g.

               Ela é muito utilizada na confecção de sucos, sorvetes, cremes e doces.