
Ficus carica L.
A
planta é originária da região arábica mediterrânea, mais especificamente
do Sudoeste da Ásia, Israel, Síria e Egito. Pertence à família Moraceae,
a mesma da jaca e da fruta-pão. É uma frutífera de folhas caducas que se
desenvolve melhor nas regiões subtropicais temperadas, mas de comportamento
cosmopolita com grande capacidade de adaptação climática, no entanto não
suporta grandes geadas. É também bastante adaptável a vários tipos de solo,
preferindo os profundos e permeáveis com textura areno-argilosa, relativamente
férteis, bem drenados, com pH ideal numa faixa de 5,6 - 6,8, mas cresce
bem até mesmo em solo rochoso. Prefere altitudes superiores a 700 metros
mas, devido a sua grande adaptabilidade, podemos encontrar figueiras frutificando
até mesmo em regiões praianas.
Apresenta
porte arbustivo nos pomares em que é conduzidos sob poda drástica, no entanto,
na sua forma silvestre a planta pode atingir a altura de 9 m, com um tronco
de diâmetro que chega a 60 cm, e ramos frágeis que se espalham amplamente.
Possue Caule tortuoso de casca cinzenta e lisa. As folhas são recortadas
em 5 a 7 lobos, amplas, tendo até 20cm ou mais de largura. Suas flores são
muito pequenas e desenvolvem-se no interior da chamada fruta do figo.
O
figo, na verdade, não é uma fruta, é uma infrutescência, ou seja, é um resultado
da frutificação de diversas flores que nascem em um só pedúnculo. A estrutura
carnosa, de casca fina macia e suculenta, de formato periforme, comestível,
de coloração branco-amarelada até roxa, variando o sabor entre o insípido
e o muito doce, conhecida como "figo', encerra em seu interior os inúmeros
frutos desta espécie, que são frequentemente confundidos com sementes. Frutifica
conforme a poda ou o ano todo.
As
figueiras são classificadas de acordo com as características de suas flores
e formas de frutificação. Existem quatro tipos gerais de Ficus carica: Caprifigo,
Smirna, Comum e São Pedro Branco, sendo que as variedades mais
cultivadas em todo o mundo pertencem ao tipo Comum. Há muitas variedades
de figo, mas a mais comum no Brasil é conhecida internacionalmente como
"Roxo de Valinhos" (nome dado devido ao município do interior paulista,
"Valinhos", conhecido como o maior e mais antigo produtor de figo do país).
É a mais cultivada comercialmente e pertence, também, ao tipo Comum.
Entre as principais características dessa variedade de figueira está a sua
rusticidade, vigor e boa produtividade.
Como
no Brasil a figueira não produz sementes, o plantio é feito através de estacas
(pedaços de ramos) de 25 a 35 cm, com uma ou duas gemas cada uma plantadas
diretamente no campo em covas de 60 x 60 x 60cm. Os espaçamentos mais comuns
entre as figueiras são 3 x 2 m para figos de consumo "in natura" ou 2,5
x 1,5 m para frutos destinados à indústria. São plantados cerca de 1.600
pés por hectare.
A
adubação deve ser efetuada de acordo com as indicações da análise química
do solo, mas é uma boa prática colocar 20kg de esterco de curral, bem curtido,
em cada cova alguns dias antes do plantio. No pomar adulto (a partir do
segundo ano), logo após a colheita, acrescentar 5kg de esterco de galinha
por planta, acrescido dos adubos químicos indicados pela análise recente
do solo. A figueira começa a produzir a partir do segundo ano, atingindo
sua produção máxima a partir do quinto ano. Cada pé produz, em média, 15kg
de frutos por ano, se conduzido corretamente. A vida útil de uma figueira
é de aproximadamente 20 anos.

É
boa prática manter espessa camada de cobertura morta na cultura, como na
figura ao lado. Isto evita a evaporação excessiva da água de irrigação e
a proliferação das ervas daninhas, além de outros benefícios. A poda é feita
basicamente com dois objetivos. A poda de formação, que mantém a
copa arejada, com aproximadamente 15 a 20 ramos (em plantas adultas); e
a poda de frutificação, que como o próprio nome diz, ativa a formação de
gemas produtivas em detrimento das vegetativas. Sempre que uma poda for
efetuada, é conveniente tratar os ramos com "calda bordalesa", pincelando-se
sobre as partes cortadas. Esta solução tambem é utilizada na folhas para
evitar o aparecimento de fungos. Não há perigo na sua utilização pois ela
não penetra no fruto. A calda bordalesa nada mais é que uma solução de sulfato
de cobre com cal hidratado, e pode ser encontrada na sua forma comercial
nas casas especializadas em produtos agrícolas.
Existem
regiões, como em Valinhos-SP, em que a prática de uma poda
drástica para evitar a proliferação de fungos é
comum. Uma outra providência que deve ser tomada, alem da pulverização
da planta com a calda bordalesa, é a caiação do tronco
Observações
importantes:
1 - Na formação de um figueiral, recomendam-se estacas enraizadas
em viveiros livres de nematóides;
2 -
Evitar o aproveitamento de filhotes que se formam junto do tronco das plantas
adultas;
3 -
A estaquia direta no campo é um processo de multiplicação que pode ser utilizada,
dependendo das condições climáticas e do solo.
As
principais Pragas da figueira são a brocas da figueira e a cochonilha ( Leia
mais sobre a mosca do figo!). As doenças que comumente aparecem são
as ferrugens e a podridão dos frutos maduros. Para o controle e combate
das pragas e doenças da figueira, consulte um agrônomo. É
muito perigoso a utilização de defensivos agrícolas sem os devidos conhecimentos
técnicos.
Os
figos destinam-se ao consumo "in natura" ou à industrialização,
em forma de doces em calda (verdes e inchados), cristalizados, figada e
secos do tipo rami. De acordo com a sua destinação futura,sejam provenientes
de pomares caseiros ou comerciais, os frutos das figueiras devem ser colhidos
em diferentes estágios de maturação. Os figos destinados à industrialização,
para fabricação de doces em compotas, são colhidos ainda verdes ou inchados,
já os destinados a produção do figo-rami, espécie de passa de figo, utiliza-se
os figos inchados; os figos maduros são para a produção de doces em pasta
ou figada, ou ainda para o consumo in natura.
Nos
figos, o valor nutritivo muda conforme a variedade e depende de seu teor
de sais minerais e açúcares. É um dos frutos de clima temperado que mais
possui cálcio. Possui ainda cobre, potássio, magnésio, sódio e traços de
zinco. O figo é um fruto altamente energético. Seu conteúdo de açúcares
aumenta de acordo com o desenvolvimento do fruto, aumentando rapidamente
na ocasião do amadurecimento, chegando a uma concentração de 20,7%
de açúcares no suco do fruto - sendo que o conteúdo total de açúcares dos
figos frescos varia de 13 a 20% e dos figos secos de 42 a 62%. Nos figos
secos, a distribuição de açúcares é em torno de 50% de glucose, 35% de frutose
e 10% de sacarose.
A
textura do fruto vai mudando com o amadurecimento, ficando mais macio quando
está pronto para ser consumido. É importante consumir o figo com a sua pele
- pois ela é rica em fibras, proteínas, sais minerais, goma e mucilagem
- tendo o cuidado de lavá-lo bem, para retirar o pó branco que é colocado
para proteger o fruto de fungos. O conteúdo do látex do figo é maior na
fruta verde e serve para coalhar o leite, sendo de 30 a 100 vezes mais potente
que o coalheiro preparado do fato dos animais ruminantes.
VEJA
ALGUMAS RECEITAS COM O FRUTO DA FIGUEIRA Clicando Aqui!