Fotos de : Marcelo Kuhlmann

Conheça o Xixá do Cerrado

 

   Árvore de grande porte, atingindo de 06 a 20 metros de altura. A copa é cilíndrica e pouco aberta e os galhos crescem de forma ascendente e na maioria das vezes exsudam ou transpiram um tipo de resina ou cera pegajosa. O tronco é provido de sapopemas basais, chegando a medir de 40 a 60 cm de diâmetro, com casca cinzenta ou castanha quando mais velha, com fissuras (rugas) longitudinais.

  As folhas são alternas, com pedicelos (haste ou suporte) de 8 a 18,5 cm de comprimento, com estipulas (lamina foliar) triangular com tricomas (pelos) estrelados de 8 a 10 mm de comprimento. A lamina foliar mede de 18 a 37 cm de diâmetro, tem textura coriácea (semelhante a couro), são concolores (2 cores), \a face adaxial (superior) verde glabrescente (sem pelos) e a face abaxial (costa) esverdeada e recoberta de densos tricomas (pelos estrelados) de com amarelada. A lamina é 3 a 5 lobada, com base profundamente cordada (como coração) e ápice emarginado, agudo ou arredondado, com margem inteira ou levemente serreada.

  Muito apropriada para o paisagismo pela sua beleza. Os frutos vermelhos são usados em decoração e na confecção de utensílios domésticos. As sementes são comestíveis e procuradas pela fauna. Existem outros tipos de Sterculia bem parecidos. Alguns deles tem um odor muito desagradável quando em flor.

Fotos de : Marcelo Kuhlmann

Cultivando

 Nome  e Significado: XIXÁ DO CERRADO vem do Tupi e significa “Fruto semelhante a mão ou punho fechado”, aludindo a forma das cápsulas individuais. Também recebe os nomes de: Araxixão, Amêndoa do cerrado, Amendoim do cerrado, Amendoim de bugre, Mandoví e Pau vidro (ao bater no tronco tem o mesmo som de bater num vidro grosso).

 

 Origem: Natural dos cerrados e da floresta estacional semidecidual, aparecendo nos estados de: Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Bahia, Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo, Brasil.

  

 Flores: As flores são monóicas (masculinas e femininas na mesma planta) e nascem em panículas terminais (tipo de cacho composto) de até 10 a 30 cm de comprimento com muitas flores de coloração alaranjada; monoclamidias (com um só invólucro), actinomorfas (com vários planos passando num mesmo eixo) com perigônio (cálice e corola unidos), campanulado (em forma de sino) e com 5 tépalas ou seguimentos do perigônio acuminados (ponta aguda). As flores masculinas têm cerca de 10 a 20 estames (tubos que transportam os grãos de pólen) com filetes (a base dos tubos) unidos ao andróforo (prolongamento do androceu ou órgão masculino da flor), as anteras (glândula apical que carrega os grãos de pólen) são ovais e sésseis (sem nenhuma haste). A flor feminina é compota de gineceu rudimentar com ginóforo (prolongamento do órgão feminino) com 4 ou 5 carpelos (folha modificada).

 

 O Fruto: O fruto é um folículo composto de 2 a 5 carpídios (folha que se transforma em cápsula que reveste as sementes), medindo até 5 a 7,5 cm de comprimento por 3 a 5 cm de largura, passando de acinzentado a avermelhado quando maduro. Cada carpídio fechado tem 5 a 8 sementes oblongas (mais longa que larga), medindo 2 a 3 cm de comprimento recoberta por casca cinza escura.

 

 Dicas de cultivo: Árvore de crescimento rápido que resiste a baixas temperaturas de até - 3 graus e máximas de até 45 graus, resistindo a períodos de seca entre 3 a 6 meses. Pode ser cultivada em todo o Brasil, em qualquer altitude e em solos: profundo, úmido, neutro (5,5 a 7,0), com constituição arenosa ou argilosa (solo vermelho) e até argiloso seco. A árvore é muito rústica, de crescimento rápido, e ótima para ser usada em reflorestamento. As suas raízes tubulosas armazenam água e apreciam índice pluviômetro de chuvas variando de 700 a 1.500 mm, conforme acontece nas regiões de dispersão natural.

 

 Mudas: As sementes são grandes, cilíndricas e oblongas (mais longa que larga), com uma pele cinzenta que se desprende a medida que vai secando. É recalcitrante (perde o poder germinativo em menos de 40 dias) e por isso devem ser semeadas assim que colhidas em sacos individuais de 25 cm de altura por 15 cm de diâmetro contendo substrato de 40% de terra, 30% de matéria orgânica e 30% de areia de rio. A germinação ocorre em 30 a 40 dias (nesse período devem estar em sombreamento de 50%), e as mudas crescem rápido e devem ficar em pleno sol, atingindo 40 cm com 7 a 9 meses após o plantio. Estacas lenhosas também enraízam facilmente, podendo esse método ser promissor para acelerar a produtividade das plantas para se fazerem cultivos comerciais. As plantas cultivadas via semente iniciam frutificação com 5 a 8 anos a depender do clima.

 

 Plantando: Pode ser plantada a pleno sol como em bosques ou em reflorestamentos de preservação permanente. Se o terreno for grande recomendo plantar num espaçamento de 10 a 12 m entre plantas, mais se o terreno for pequeno pode ser plantada à 8 x 8 m entre plantas podendo cultivar outras frutíferas que gostam de sombra sob sua copa. Abra covas de 50 cm nas três dimensões, reserve os 30 cm de solo iniciais para misturar 2 pás de areia de saibro, 500 gramas de cinzas e 6 a 8 pás de matéria orgânica, deixando curtir por 2 meses. A melhor época de plantio é nos meses de outubro a dezembro, após o plantio irrigar a cada quinze dias nos primeiros 3 meses.

 

 Cultivando: A planta cresce rapidamente, é de fácil cultivo e muito rústica, necessitando apenas de adubação orgânica com média de 4 a 20 pás de composto orgânico curtido e 30 a 1 kg gramas de adubo químico NPK 10-10-10 (a depender do tamanho e idade da planta). Apenas podas de limpeza de galhos secos ou doentes são efetivadas. A planta é muito resistente a pragas e doenças.

 

 

 

 Usos: Frutifica nos meses de setembro a novembro. Os frutos passam do verde para o acinzentado (com bordas avermelhadas) ao amadurecer, estes tem formato de um trevo com 2 a 5 cápsulas, cada uma contendo de 4 a 7 sementes, que tem uma amêndoa saborosa com gosto de amendoim, podendo ser consumida in natura ou torrada. A árvore é ornamental e pode ser cultivada em grandes jardins e praças. A planta também não pode faltar em projetos de reflorestamentos nas regiões de origem, devendo ser re-introduzida no seu habitat natural. As castanhas ou sementes alimentam araras e papagaios bem como toda a família dos roedores silvestres.

Fotos de : Marcelo Kuhlmann