Jerivá
Syagrus romanzoffiana

Cultivando

 

 Nome: JERIVÁ vem do Tupi Guarani e significa “Fruta gomosa de cacho” esse nome é exato porque os frutos, obviamente dão em cachos, mais sua polpa grossa é como goma de mascar. Também recebe os nomes de: Coquinho, Coqueiro pindoba, Coco de cachorro, Coco juvena, Coqueiro pindó, Coco baba de boi, Coqueiro Jerivá, Fruta de graxaim, Gerivá, Juruvá, Jiruvá, Jurubá e Patí.

 

 ORIGEM: Ocorre desde o sul da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, em todos os estados restantes da Região Sudeste e Sul. Sua dispersão é sempre continua em todas as formações florestais, desde a restinga litorânea até as florestas montanas de encostas com altitude elevada, surgindo também no cerradão de terreno seco no Brasil central em Brasília DF, ou em floresta de brejo e beira de rios no estado de São Paulo e nas frias florestas de Araucárias ou ainda florestas turfosas do Rio Grande do Sul, Brasil.

 

 Características: È uma palmeira de estipe ou tronco solitário, atingindo de 6 a 15 m de altura, no meio da floresta cresce até 30 m com tronco variando de 25 a 62 cm de diâmetro. O tronco é vertical, cilíndrico, fissurado (com pequenas rachaduras), de coloração cinzenta, com mesclas esbranquiçadas e pontuações mais escuras formadas pelas fibras, e marcada com anéis de vestígios das bases das folhas caixas. A copa não é separada do tronco, é composta de 4 a 14 folhas arqueadas, pinadas (como penas) com raque (eixo ou nervura central) de 2,5 a 4 m de comprimento, sob pecíolo (haste ou suporte) semelhante a bainha (que envolve metade do tronco) com base expandida, fibrosa de 20 a 40 cm de largura, e ápice acuminado (que se afina) com 30 a 70 cm de comprimento. A raque central contem de 150 a 250 pinas ou filetes laminares dispostos em diferentes planos, medindo 30 a 60 cm de comprimento por 2 a 3,5 cm de largura, com ápice torto e pendulo. A inflorescência é interfoliar (nasce entre as folhas), protegidas por espádice (invólucro) lenhoso, glabro (sem pelos), com pedúnculo (base ou suporte) longo de até 26 cm de comprimento, que com o tempo se abre tornando-se espata ou bráctea (tecido modificado) cilíndrico, fusiforme (com forma encaracolada), profundamente sulcada externamente, com 1 a 1,5 m de comprimento por 15 a 28 cm de largura. Depois que a espata abre, surgem milhares de flores numa panícula (cacho composto) formado por raque central de 40 a 50 cm de comprimento das quais surgem raquilas (nervuras em forma de filetes) secundários (cerca de 70 a 300) com 24 a 65 cm de comprimento. Cada raquila contem de 60 a 120 flores unissexuais, sendo que uma feminina é distribuída entre 2 masculinas. Os coquinhos são drupas globosas ou ovóides, de cor amarela ou alaranjada na maturação, com 2 a 4 cm de comprimento por 2 a 3 cm de diâmetro, com polpa ou mesocarpo fibroso, mucilaginoso, suculento e adocicado; cada fruto pesa 6 a 10 gramas. A semente é ovóide, com ápice apiculado (com ponta curta), base arredondada e marcada por três cicatrizes em resultado da polinização; com casca dura, fibrosa que protege uma amêndoa branca adocicada e farinácea.

 

 

 Dicas para cultivo: É uma palmeira de fácil cultivo e pode ser cultivada em todo o território brasileiro. É uma planta rústica, adapta-se a solos arenosos, argilosos, a latossolos (terra vermelha), pedregosos e solos do cerrado carregados de alumínio que são tóxicos para algumas plantas, com pH variando de 4,5 a 6,8; também é indiferente quanto a fertilidade natural e se sujeita a inundações temporárias de até 40 dias, como ocorre as margens do rio Paranapanema. Pode ser cultivada desde 40 m até 1.600 m de altitude, onde a temperatura media anual fica entre 13 a 22 graus, suportando mínimas absolutas de até – 10 graus, com media de 20 a 50 geadas no inverno no Rio Grande do Sul, e resistindo a máximas de até 43 graus no período mais seco e quente em Goiás. Quanto a chuvas aprecia índices de 1.000 a 2.500 m anuais com uma estação seca no inverno, quando o inverno é seco e bem definido o Jerivá produz mais.

 

 

 Mudas: O Jerivá é propagado normalmente por sementes que devem ser colhidas e limpas, retirando toda a polpa e a fibra envolvente, pois estas têm inibidores de germinação. Semear em composto preparado com 40% de adubo da floresta ou folhas decompostas, 30% de areia e 30% de terra de superfície. As sementes germinam melhor se cobertas com 3 cm de substrato, o aparecimento das primeiras folhas se inicia aos 80 dias, ocorrendo paulatinamente até os 200 dias depois. Recomendo plantar as sementes em canteiros ou sementeiras e quando as plantas estiverem com 4 folhas definitivas, faz-se o transplante para embalagens individuais. Caso queira pequena quantidade de mudas, essas podem ser retiradas num dia chuvoso, debaixo de uma planta adulta, pois o pegamento de plantas com qualquer tamanho é muito satisfatório. As mudas atingem 50 cm de altura com 12 meses após o transplante e já podem ser plantadas no lugar definitivo.

 

 

 Plantando: No pomar domestico recomendo as medidas de 4x4 m, para alamedas de estradas, renques de jardins ou reflorestamento, recomendo o espaçamento de 3x3 m. As covas devem ter 40 cm nas três dimensões, e com os 30 cm da terra da superfície, devem ser misturado 500g de cinza, 200 g de calcário e 10 kg de composto orgânico ou esterco de gado bem curtido. Após o plantio irrigar com 10 a 15 litros de água, repetindo essa irrigação a cada 15 , dias no mínimo 3 meses, depois irrigar somente quando ficar sem chover durante um mês. O crescimento do Jerivá é moderado, atingindo 1,20 cm com 1 ano e meio de idade; em refloretamento, a planta atinge 7 m de altura após 20 anos.  Começa a frutificar com 5 a 6 anos.

 

 

 Cultivando: Fazer apenas podas de formação da copa e eliminar as folhas secas, não retirando a base que envolve e protege o tronco. Adubar com composto orgânico, pode ser 3 pás de cama de frango bem curtido, + 30 gr de N-P-K 10-10-10 dobrando essa quantia a cada ano até o 3ª ano; depois manter a adubação consecutivamente. Fazer capinas periódicas para que o mato não sufoque a planta e manter o pé sempre protegido com cobertura morta. O Jerivá é rústico e resistente a pragas e doenças.

 

 

 Usos: Frutifica em vários meses do ano, principalmente de agosto a dezembro. No passado se tiravam lascas do tronco de Jerivá para fazer barracão ou casas de barro e das cascas fibrosas eram feitas telhas. Muitos ainda se lembram das canoas (brácteas secas) de Jerivá, as quais serviam de brinquedo, onde uma criança puxava a outra sobre os gramados de verdejantes pastos declinados.

 Em algumas regiões do Brasil, as folhas são usadas como forrageiras para eqüinos, bovinos e caprinos na época de seca. Na medicina popular, o chá da casca e da flor é usado no combate ao amarelão, problemas renais e diarréias. A casca e o suco do coquinho têm propriedades vermífugas.

 A amêndoa é rica em proteína e cálcio, sendo um excelente alimento para pessoas convalescentes e o óleo dessa amêndoa tem propriedades que podem ajudar a diminuir os efeitos da osteoporose, artrite e reumatismo, alem de produzirem 38% de óleo que pode ser usado na culinária.

 O palmito apesar de ser um pouco e amargo, é de excelente textura e sabor quando cortado de plantas jovens (com 5 a 6 anos) e fervidos antecipadamente para retirada da seiva amarga; embora não é recomendado sacrificar uma palmeira só para retirar o palmito, a não ser se estas forem plantadas com esse objetivo. Por fim os frutos alaranjados com polpa espessa, fibrosa e saborosa é um verdadeiro chiclete natural, muito apreciado pelas crianças da zona rural.

O  Jerivá e suas variadas Finalidades

 

 

  Das muitas palmeiras brasileiras, uma pode ser considerada a preferida das crianças e dos bichos em toda a região da Mata Atlântica, tanto onde ainda existe floresta fechada, mata ciliar ou mata secundária como nas terras ocupadas por gente. A maioria dos adultos nem presta muita atenção aos cachos fartos, mas ainda existem por aí muitos pequenos consumidores dos seus coquinhos de polpa pegajosa, cor amarelo-ouro e sabor adocicado.

 

 O nome mais comum é jerivá (Syagrus romanzoffiana), derivado do tupi jaribá ou yaribá, cujo significado é o fruto em cacho, que cai à toa. Tem razão de ser, pois essa palmeira produz durante o ano inteiro, em cachos de 10 quilos, em média, ou algo em torno de 1.400 coquinhos, cada um com 2 a 3 centímetros!

 

 A planta, possui ciclo perene, é de médio porte e chega a alcançar até 20 metros de altura, prefere solos encharcados tais como brejos e várzeas. Possui folhas longas e pendentes. Sua inflorescência surge quase o ano todo em forma de cacho, em pequenas flores amareladas, que são visitadas por abelhas.

 

 Seus frutos amarelados, do tipo drupa é arredondado, possui polpa fibrosa, doce e suculenta. Cada fruto produz uma semente, que se assemelha a um pequeno coco, com sabor amendoado e comestível. A propagação da planta é através das sementes ou de mudas.

A Utilização do Jerivazeiro

 

   O jerivá é rico em Omega 3, 6 e 9 e tem muita vitamina A, entre 4 e 7 vezes mais do que o buriti, que é usado na merenda escolar para reduzir a carência de carotenoides. A composição da polpa foi estudada por Flora Goudel, em seu mestrado em Ciências Agrárias junto à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A pesquisadora concluiu que “a bebida de jerivá se destaca pelo alto teor de carboidratos totais e pelo perfil de ácidos graxos rico em óleos mono e poliinsaturados, além do elevado conteúdo de carotenóides e fibras solúveis, podendo ser uma fonte destes nutrientes, se incluída na dieta”.

 

 Outro grupo de pesquisa interessado no jerivá é o do Laboratório de Mecanização Agrícola da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Lama/UEPG), no Paraná. De acordo com o engenheiro agrícola Pedro Henrique Weirich Neto, os coquinhos de jerivá podem ser despolpados facilmente em máquinas semelhantes a grandes liquidificadores, após imersão por uma hora em água quente.

 Já o uso do óleo retirado das amêndoas depende do desenvolvimento de equipamentos mais resistentes porque a casca é muito dura. A equipe do Lama/UEPG agora trabalha nisso. “O óleo poderia ser usado na indústria alimentícia, cosmética e na fabricação de biocombustíveis”, diz Weirich Neto. Segundo ele, o óleo de jerivá tem potencial para substituir o óleo de soja na cozinha.

 

 Roseli Madeira também acredita na utilização de outros subprodutos do jerivá na indústria cosmética e na impermeabilização de revestimentos, móveis e de artefatos feitos de bambu. Agora só falta tornar conhecidas do público consumidor essas novas matérias primas da nossa biodiversidade.

 A planta é utilizada em projetos de paisagismo, em jardins, ruas e praças; seja isolados ou em grupos; e para a recuperação de áreas degradadas.

 

 A polpa do jerivá maduro pode ser batida e utilizada para preparação de sucos, cremes e mousses.

 

Onde encontrar o Jerivá?

 

 

 Ele é encontrado em quintais de casas, em calçadas, na roça, em chácaras, em regiões de matas mais úmidas, em viveiros de plantas e sites que comercializam sementes e mudas de plantas.

 

 Os frutos do jerivazeiro faziam a alegria das crianças de roça, que se reuniam para pegar, abrir e quebrar os coquinhos com pedras, para degustação de sua polpa e suas saborosas amêndoas.

Suco de Jerivá:

 Comer a polpa do coquinho não é muito interessante porque fica grudada nos dentes. Então resolvi bater no liquidificador com um pouco de água e eis que surgiu um caldo bem denso. Coei, devolvi um pouco no liquidificador, com água gelada e açúcar.

 Surpresa: um delicioso refresco!

 O restante foi colocado em potes e congelado (200ml cada), pois rendeu muito. Cada recipiente rende dois litros de refresco.

Jerivá
Syagrus romanzoffiana