A Lobeira

 Família das Solanaceaes, mesma do tomate e pimenta malagueta.

 

 Espécie amplamente distribuída pelo bioma Cerrado, sendo também encontrada em estados de outras regiões, como o Paraná, Rio de Janeiro, Pará e Amazonas. Torna-se frequente em áreas alteradas pelo homem, como beira de estradas.

 Após a polinização e fecundação, os ovários transformam-se em frutos do tipo baga, globosas com até 20 cm de diâmetro, contendo polpa carnosa, com 300 a 500 sementes.

 

 Sua frutificação é concentrada entre julho e janeiro. Multiplica-se facilmente por sementes, sendo comum encontrar plântulas em fezes de gado e lobo-guará.

 Apesar de ser capaz de rebrotar após ser queimada, a lobeira pode ter seus frutos danificados pelo fogo , o que pode comprometer sua reprodução.

 Seus frutos representam até 50% da dieta alimentar do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), acreditando-se que tenham ação terapêutica contra o verme-gigante-dos-rins, que é muito frequente e geralmente fatal no lobo.

 Os frutos são utilizados na alimentação de populações tradicionais para o preparo de doces, geleias. Seu uso medicinal é amplamente difundido no bioma Cerrado.

 É planta amiga dos criadores de gado. Apesar de ser considerada uma espécie daninha para lavouras e pastagens, suas folhas e frutos são apreciados pelo gado, podendo ser uma ótima alternativa como pastagem nativa durante a época seca, uma vez que as folhas não caem.

O USO MEDICINAL DA LOBEIRA

 

 

 

 

 Descrição : Da família das Solanaceae, também conhecida como fruta-de-lobo, fruteira-de-lobo, jurubeba-lobeira. Arbusto com espinhos, folhas semelhantes à da jurubeba, flores brancas ou azuis.

 Parte utilizada: folhas, frutos.

 Princípios Ativos: taninos.

 Propriedades medicinais: antidiabética, antiespasmódica, hipocolesterolêmica, hipoglicêmica, hipotensor, lipolítica.

 Indicações: afecções das vias urinárias, colesterol, cólica renal e abdominal, diabete, diminuir apetite, espasmo, gordura do fígado, redução da pressão sanguínea.

 Contraindicações/cuidados: não é indicada para gestantes, nutrizes e crianças. Segundo crenças da população sertaneja de algumas regiões brasileiras, o fruto da lobeira pode causar males digestivos e envenenamentos.

Porém, estudos feitos com a planta não lhe atribuem nenhum efeito colateral grave.

 Modo de usar:

 

 Os frutos maduros podem ser consumidos “in natura” e no preparo de doces e geleias de sabor levemente azedo. Também podem ser misturados a outras frutas e empregados no preparo de doces que levam pêssegos ou marmelos;

 Infusão das folhas pode ser empregada no tratamento de diabetes, na redução dos níveis de colesterol, em regimes (reduzem as gorduras do fígado e diminuir o apetite), afecções das vias urinárias, espasmos, cólicas renais e abdominais e redução da pressão sanguínea;

 As folhas e o polvilho dos frutos verdes (feito a partir da trituração dos frutos com água) são empregados popularmente no controle da produção de insulina e do nível glicêmico do sangue;

 O polvilho extraído dos frutos verdes: diabetes (restaurar a produção de insulina pelo pâncreas).

Receitas -  Utilização medicinal da lobeira

Compressa

Indicações                           ► Emoliente, anti-reumática 

Parte usada                         ► Folhas 

Preparo e dosagem             ► Banho e compressa 

 

Modo de Preparo:

 ►1 xícara de chá de folhas picadas para 1 litro de água fervente. Aplicar nos locais afetados 4 vezes ao dia por 10 minutos.

 Xarope

Indicações                       ► Tônico, contra asma, gripes e resfriados  

Parte usada                     ► Flores e frutos  

Preparo e dosagem         ► infuso

Modo de Preparo:

 A:► Macerar 1 xícara de chá de rodelas do fruto e flores. Despejar ½ litro de água fervente. Deixar repousar por 12 horas. Coar, levar ao fogo 3 xícaras de açúcar cristal e preparar uma calda. Adicionar à calda a infusão preparada e mexer por 5 minutos. Guardar em um frasco de vidro muito bem limpo. Beber de 5 a 6 colheres de sopa ao dia.

      

  B:► 1 xícara de chá de flores e rodelas do fruto para 1 litro de água fervente. Deixar esfriar. Adoçar com mel. Beber de 4 a 5 xícaras de café do chá ao dia.

Receita de Geleia de Lobeira Madura

 

 

Ingredientes:

 

1 Kg de polpa de lobeira;

½ Kg de açúcar;

1 limão.

 

 

 

Modo de fazer:

 

 Retirar casca e sementes dos frutos, ferver a polpa num pouco de água, bater a polpa fervida no liquidificador, adicionar ½ Kg de açúcar para cada quilo de polpa, colocar algumas cascas e gotas de limão, ferver novamente.

Nota: o ponto de geléia ocorre em 20 a 30 minutos. A geleia é de sabor um pouco azedo. Deve-se usar somente frutos maduros, pois é alto o teor de tanino nos “de vez” e verdes.

 

Fonte: Almeida et al. 1997 em Silva et al. 2001

 Fruta de Lobo

Solanum lycocarpum St. Hil.

Cultivando

 Nome e significado: GUARAMBÁ vem do tupi e significa “alimento do lobo guará”. Também recebe os nomes de Jitó, Fruta de Lobo doce e Guarambá arbóreo. Veja mais sobre outra espécie a Lobeira (Solanum lycocarpum).

 

 Origem: Ocorre no cerradão de mata mais fechada e no cerrado de campo sujo, aparecendo também na transição para a floresta semidecidual. Aparece nos estados de Goiás, Maranhão, Tocantins, Minas Gerais, Mato Grosso do norte, Mato Grosso, São Paulo e norte do Paraná, Brasil.

 

 Características: Árvore de médio porte, atingindo 3 a 4 m, e mais raramente chegando a 6 m de altura em solos mais férteis. Tem copa aberta e irregular e tronco cilíndrico chegando a medir de 10 a 30 cm de diâmetro, com casca acinzentada, aculeada (com espinhos) e com fissuras (rugas) no sentido longitudinal. Os ramos novos são cilíndricos, aculeados, com coloração prateada e facilmente identificado por se observar dessa pilosidade ferruginea. As folhas são simples, alternas e as vezes isoladas e tomentosas (coberta de lanugem) no dorso. A lâmina foliar é coriácea (textura rija como couro), ovadas (forma de ovo), medindo 9 a 24 cm de comprimento por 5 a 8,5 cm de largura. A base é arredondada, margem inteira e curvada para cima, com 6 a 10 nervuras secundárias e ápice lanceolado (forma de lança) ou apiculado (com ponta curta). As flores nascem em corimbos (cacho semelhante a buque) oposto as folhas, medindo 6 a 12 cm de comprimento com 4 a 8 flores. As flores são formadas de cálice (invólucro externo) ferrugineo e densamente piloso (coberto de pelos longos) de 2 a 3 cm de comprimento, e corola (invólucro interno) com 5 pétalas azulada arroxeadas de 1,8 a 3,2 cm de comprimento. Os frutos são bagas verdes amareladas quando maduras, com cálice persistente e espinhoso, medindo 9 a 13 cm de diâmetro por 5 a 8 cm de altura com polpa esverdeada e sementes pretas, reniformes (formato de rim). Os frutos chegam apesar de 300 a 550 gramas.

 

 Dicas para cultivo: Planta de rápido crescimento, de fácil cultivo e muito rústica, natural do clima subtropical, sendo resiste bem a geadas de até – 3 grau e a seca de 4 a 6 meses. Pode ser cultivada em todo o Brasil, em qualquer altitude; adapta-se bem aos solos arenosos ou argilosos e vermelhos que sejam profundos, que sejam bem drenados, com pH de ácido a neutro e com boa quantidade de matéria orgânica dissolvida. A planta pode ser cultivada na sombra ou no sol onde produz mais abundantemente. Começa a frutificar com 3 a 4 anos após o plantio.

 

 Mudas: Sementes são pequenas com 3 a 4 mm de diâmetro, de cor preta e são facilmente retiradas da polpa por lavagem em água corrente. Após lavadas podem ser secas ao sol por 3 a 4 horas e guardadas em frascos tampados conservando o poder germinativo por até 1 ano. As sementes devem ser semeadas em jardineiras contendo substrato feito de 40% de terra vermelha, 30% de areia saibro e 30% de matéria orgânica curtida. A germinação se dá em 30 a 40 dias e as plântulas podem ser transplantadas para sacos individuais quando estiverem com 10 a 15 cm. Também podem ser plantadas em embalagens individuais colocando 3 sementes por saquinho. As mudas devem ser formadas em ambiente ensolarado e atingem 40 cm com 7 a 8 meses de idade.

 

 Plantando: Deve ser plantada a preferencialmente em pleno sol, visando a produção de frutos comestíveis para a fauna em geral. No pomar planta-se num espaçamento de 5 x 5 m, onde as covas devem ser abertas com 50 cm de largura, altura e profundidade, devendo ser preenchidas com 30% de areia saibro (vermelha) e cerca de 5 a 6 pás de composto orgânico bem curtido; caso o solo seja muito acido é bom colocar 200 g de calcário na cova e deixar curtir por 3 meses antes do plantio. A melhor época de plantio é nos meses de setembro a dezembro, após o plantio, irrigar com 10 l de água por semana nos primeiros 2 meses.

 

 Cultivando: Fazer apenas podas de formação da copa e eliminar os galhos que nascerem na base do tronco ou voltados para baixo e os que se cruzarem para o interior da copa. Adubar com composto orgânico, pode ser 3 pás de matéria orgânica bem curtida e + 30 gr de N-P-K 10-10-10 dobrando essa quantia a cada ano até o 4ª ano e continuar adubando anualmente na primavera. Lembrar de distribuir o adubo na projeção da copa com distancia do tronco igual à medida da circunferência deste.

 

 Usos: Frutifica nos meses de maio a agosto. Os frutos são comestíveis tanto in-natura como na culinária. Quem não é acostumado com o gosto forte de Maçã verde, deve comer apenas 1 fatia por vez. Esse fruto tem mais vitamina do que a manga, banana, abacaxi e laranja juntos, por isso se consumido demais pode dar desordem intestinal. Com os frutos verdes que devem ser descascados e as sementes retiradas, se pode fazer cozido ou refolgado com carne ou outros legumes; apenas a água da primeira fervura deve ser jogada fora. Com os frutos maduros se pode fazer geleias. A polpa desidratada e usada em pequenas porções ajuda o pâncreas produzir insulina e controlar a diabetes. A planta pode ser cultivada em projetos de reflorestamento, pois seus frutos são alimento predileto do lobo guará e outros animais.

 Fruta de Lobo

Solanum lycocarpum St. Hil.