Cajá
Cajá-MirimSpondias mombin
e Caja-manga Spondias Dulcis

Cultivando

 

 A cajazeira 

 

 É uma espécie frutífera da família Anacardiaceae. Na região sudeste da Bahia, a cajazeira é encontrada como árvore usada para sombreamento  permanente  do cacaueiro e também  como produtora de frutos que servem como importante fonte de renda adicional para o produtor. Os frutos da cajazeira são muito apreciados pelo excelente sabor de sua polpa. Além disso, apresentam boas características agroindustriais como rendimento de polpa  de 56 % em média e suas características químicas, como Brix de 13o.

 

 A polpa de cajá está entre as mais comercializadas na região.

 

Clima e Solo

 

 A cajazeira desenvolve-se bem em climas úmido, sub-úmido e quente, com precipitação anual entre 1.100 a 2.000 mm. Os solos recomendados para o plantio são os profundos e bem drenados, para que as raízes tenham um desenvolvimento satisfatório. Os terrenos com declividade acima de 20% não são recomendáveis.

 

 

Plantio

 

 Recomenda-se o plantio de mudas clonadas ou estacas lenhosas (1,20 cm de comprimento com 3 a 6 cm de diâmetro obtidos de plantas de boas características agroindustriais.

 

 Em plantios solteiros, sugere-se os espaçamentos 8 x 8 m (156 plantas/ha) e 8 x 6 m (208 plantas/ha), que podem ser modificados quando a cajazeira for utilizada em consórcio com outras plantas. Na consorciação com o cacaueiro, recomenda-se um arranjo com fileira dupla da cajazeira de 9 x 9 x 18 m, com 5 filas de cacaueiro no espaçamento de 3 x 3 m (Figura 1).

 

 Para o plantio recomenda-se abertura de covas com 40 x 40 x 40 cm adubadas com 20 a 30 litros de esterco curtido, 300 g de superfosfato simples, 50 g de uréia e 30 g de cloreto de potássio.

 

Tratos Culturais

 

 Apesar da literatura agronômica não fornecer informações sobre nutrição e manejo para a cajazeira, sugere-se a adaptação de tecnologia utilizada em outras fruteiras tropicais com porte parecido. Assim, recomenda-se adubação com 400 g de superfosfato simples, 200 g de uréia e 150 g de cloreto de potássio parcelados em 3 vezes ao ano.

 

 Deve-se manter a cajazeira livre da concorrência das plantas daninhas através de roçagens e capinas. Por se tratar de uma planta com forte dominância apical, deve-se realizar a eliminação do broto terminal quando a planta atingir 60 cm de altura, a fim de proporcionar uma melhor distribuição dos ramos e uma arquitetura da copa mais adequada.

 

 A poda de formação para obtenção de uma copa mais baixa requer  cuidado constante. Deve-se eliminar os ramos que apresentarem crescimento vertical. Com essa prática, espera-se que o porte da planta mantenha-se entre 4 e 6 m de altura, com o propósito de facilitar os tratos culturais.

 

 

Pragas e Doenças

 

 Apesar de não se encontrar plantios de cajazeiras tecnicamente formados, vários pesquisadores já identificaram a ocorrência de pragas e doenças, que prejudicam o desenvolvimento e a produção dessa fruteira.

  

 

Mosca-das-frutas

 

 A mosca-das-frutas (Anastrepha sp) inicia seu ataque quando o cajá se encontra verdoengo ou de vez; os ovos são depositados no interior dos frutos. Após a eclosão, as larvas se alimentam da polpa e facilitam a entrada de fungos e bactérias, provocando podridão e queda de frutos.  Os frutos caídos abrigam as larvas e estas saem dos frutos e penetram no solo a 5 cm de profundidade, onde posteriormente se transformam em pupas e adultos. Recomenda-se coletar e enterrar os frutos caídos com sintomas do ataque dessa praga para diminuir a população futura nos pomares.

 

 

Outras pragas

 

 Outros insetos que afetam a cajazeira são: saúvas, tripes, cochonilhas, lagartas que atacam folhas, ramos e frutos.

 

 

Doenças

 

 As principais doenças descritas  são: Antracnose, Verrugose, Resimose, Cercosporiose e Mancha - de- alga.

 

Colheita e Comercialização

 

 A colheita é feita manualmente, coletando os frutos maduros caídos. Nos Estados produtores, o período de safra varia:  maio a junho na Paraíba; fevereiro a maio na região Sudeste da Bahia; agosto a dezembro no Pará e janeiro a maio no Ceará.

 

 A comercialização na região Sul da Bahia é feita em feiras livres, às margens de rodovias próximas às unidades de produção e nas indústrias de processamento de polpas localizadas na região.

Cajá

Cajá-Mirim Spondias mombin

e Cajá-manga Spondias Dulcis

Cajá, a fruta com vários Benefícios 

   Há três espécies de cajás conhecidas no Brasil: cajá-manga, taperebá ou cajá mirim e a seriguela.

  A mais popular no Brasil é a cajazeira-manga (Spondias dulcis), árvore com 10 mts de Altura, originária da Polinésia, ao mesmo gênero pertence a cajazeira-Mirim ( Spondias mombin L.) que atinge em média 25 mts de Altura e a última é a Seriguela (Spondias purpurea) originária da  América do Sul e Central, dificilmente chega a 10 mts de Altura.

  O seu cheiro é tentador, e irresistível para pássaros e insetos que se alimentam dessa fruta de sabor singular. Uma alimentação saudável deve conter uma ampla variedade de frutas, para que assim a sua nutrição seja completa, por isso, conhecer as propriedades contidas nelas é importante para a realização de combinações e escolhas certas.

 Os benefícios do cajá podem ser mais significativos do que você imagina, já pensou no uso medicinal e alternativo que você poderá usufruir com essa fruta? Abaixo serão abordadas algumas razões que te convencerão a tornar a presença do cajá mais constante em suas refeições e lanches.

 

 

Informações gerais e propriedades

 A fruta é pertencente ao gênero Spondias, e é nativa da América. Generalizadamente falando, a fruta pode ser encontrada em uma ampla variedade de cores, sendo verde, roxa, vermelha, laranja, e a mais comum, amarela. A pele mais fina cobre a polpa da fruta que, é amarelo rosa, a qual possui textura semelhante a outras frutas. Os benefícios do cajá não se limitam apenas à riqueza de antioxidantes, por isso é conveniente desbravarmos suas funcionalidades.

  A fruta pode ser vista inicialmente na coloração verde, mas a luz é responsável por converter a cor em amarelo dourado no processo de amadurecimento. Nesse período é possível notar uma pele mais resistente e fina, além do sabor ser mais apetitoso e com característica ácida. O cajá é frequentemente preparado com açúcar, caldo de cana, geleias, sucos e sorvetes, formas comuns para neutralizar a sua acidez.

 

 Devemos abordar não só a presença do cajá nas refeições, mas também a sua importância como remédio para inúmeras condições físicas. Quando falamos da fruta, não nos limitamos somente à polpa, mas também às partes da árvore, sua casca, folhas e raízes. O Centro de estudos de medicina de ervas da América do Sul demonstrou que as folhas e cascas do cajá são amplamente utilizadas como remédio para induzir a um melhor parto, livre de muito sangramento e dores.

 

 As folhas de cajazeira também atuam como remédio para tratamento de problemas digestivos, como diarreia, dores estomacais, cólica, prisão de ventre, dispepsia, e muito mais. A aplicação destas ainda pode agir na cicatrização de feridas, cortes, queimaduras e acnes. A eficiência ainda pode ser estendida para o tratamento de hemorroidas.

 A partir de agora vamos apresentar todos os benefícios do cajá através de suas propriedades, e assim você compreenderá para que serve a fruta em seu organismo.

1. Fonte rica de vitamina C

 

 Os cajás são ricos em vitamina C, que além de ser uma vitamina essencial, ainda age como um antioxidante natural, melhor protegendo seu corpo contra diversos danos causados por radicais livres, o que reduz potencialmente o risco de ocorrência de doenças cardíacas e também a ação de células cancerígenas.

 Ao consumir uma porção de 100 gramas de cajás, você estará fornecendo ao seu corpo cerca de 46,4 miligramas de vitamina C. Adicionando essa porção à sua alimentação, você garantirá de 39 a 49% da dose diária necessária dessa vitamina para seu corpo se manter saudável.

 A vitamina C ainda melhora a ação de seu sistema imunológico e contribui com a produção de colágeno, responsável pela saúde da pele, ligamentos, tendões e cartilagem se manterem saudáveis. Sendo fonte dessa vitamina, o cajá ainda pode reduzir as fadigas pós-treino, já que age para combater o cansaço, o que garante um melhor desempenho, resistência e condicionamento. O cajá ainda pode ajudar a evitar possíveis gripes.

 

 

2. Combate a anemia

 

 Consumindo 100 gramas de cajá, a fruta contribuirá com 2,8 miligramas de Ferro para o seu corpo. Essa porção equivale de 15,5 a 35% da ingestão recomendada por dia. Esse nutriente é essencial para a função geral de seu organismo, pois assume função importante na produção de hemoglobina e mioglobina, ambos indispensáveis para o transporte de oxigênio por todo o corpo.

 A hemoglobina é armazenada nas células vermelhas do sangue, dessa forma, quem possui alta quantidade de Ferro na dieta, garante produção regular de glóbulos vermelhos, evitando problemas como a anemia, fator muito comum para pessoas que adotam dietas sem orientação médica e com desequilíbrios nutricionais.

 

 

3. Protege contra doença cardíaca

 

 O sistema cardiovascular pode ser um dos afetados pelos benefícios do cajá, pois estudos identificaram a eficiência de antioxidantes contidos na fruta. As pesquisas demonstraram que os cajás são naturalmente ricos em antioxidantes, se comparados a medicamentos destinados a tratamentos do coração. Ainda foi possível descobrir que a fruta é capaz de reduzir os níveis de colesterol total.

4. Carotenoides

 

 Essa fruta é fonte rica de carotenoides e beta-criptoxantina, os quais podem contribuir com a sua saúde de modo geral. A beta-criptoxantina nada mais é que uma pró-vitamina, a qual apoia que seu corpo produza retinol, nome alternativo para a vitamina A. Reconhecer os carotenoides entre os benefícios do cajá é destacar a ação eficiente para a saúde no crescimento dos ossos, visão, além de aumentar a imunidade por meio do desenvolvimento de células brancas do sangue. Vale ressaltar que o beta-criptoxantina é um carotenoide solúvel em gordura. 

5. Baixo teor de gorduras

 Sendo uma das principais preocupações, você gostará de saber que o cajá não contém nenhuma gordura saturada ou colesterol. Fruta com teor baixo de gordura, o cajá é uma escolha saudável para quem deseja perder peso e garantir a qualidade de vida.

6. Dentes e ossos fortes

 

 Um dos principais contribuintes para os ossos e dentes se manterem fortes, o Cálcio pode ser encontrado em abundância no cajá. Adotar uma dieta equilibrada contando com a presença dessa fruta pode ser o diferencial que você esperava para ter ossos mais saudáveis e um sorriso que evidência toda sua saúde.

 O fornecimento regular de Cálcio prepara seus ossos para diferentes adversidades, eles podem melhor responder aos estímulos, e a possibilidade de torções e lesões é reduzida significativamente. A vitamina A também apoia o estado saudável dos ossos de seu corpo. Mais um dos benefícios do cajá é auxiliar no combate à osteoporose.

 

 

7. Previne a TPM

 

 A fruta pode assumir um papel importante sobre os hormônios femininos. Sabemos que o ciclo menstrual é repleto de variações de humor, e o cajá aparece como fonte de vitamina A,B, C e muitos minerais importantes. A combinação de nutrientes contidos na fruta pode reduzir as oscilações de humor comuns nos períodos de TPM.

8. Ajuda a perder peso

 O cajá pode ser uma fruta amiga que lhe aproximará da boa forma que você tanto deseja. Sim, o cajá pode ajudar você a emagrecer. A fruta é rica em fibras, e estas assumem um papel importante, pois possibilitam o funcionamento regular do intestino, contribuindo para que você elimine as toxinas indesejáveis do corpo.

 Seu corpo se manterá mais “limpo”, mas você ainda notará que o cajá pode proporcionar sensação de saciedade, o que evitará que você consuma porções  de comida com excesso calórico, assim respeitando as suas necessidades. A sensação de saciedade é muito importante no processo de perda de peso, pois os casos de ansiedade e compulsão alimentar são mais comuns que imaginamos.

 Como se não bastassem os benefícios do cajá para a conquista da boa forma, ele é pouco calórico, sendo que se você consumir 100 gramas da fruta, estará adicionando apenas 90 calorias ao seu plano alimentar.

 

 

9. Apoia o sistema nervoso

 

 Não pense que o cajá é a exceção entre as fontes de vitamina B, muito pelo contrário. Demonstrando a sua eficiência completa, a presença do cajá no plano alimentar não só pode ajudar no controle do sistema nervoso de mulheres no ciclo menstrual, mas a todos os amantes da fruta. O controle de ansiedade, fome, depressão e compulsão alimentar se estende a todo o sistema nervoso, representando benefícios do cajá para qualquer pessoa, independente da faixa etária ou sexo.

10. Melhora a saúde dos músculos

 

 O cajá conta com os melhores nutrientes, os quais se responsabilizam por auxiliar na atuação das moléculas de ATP. A fruta é rica de Fósforo, mineral importantíssimo para a contração muscular, ou seja, pode ser muito eficiente se incorporada a dieta voltada para hipertrofia e ganho de músculos, já que contribui com a saúde da massa muscular.

Pesquisas sobre o Fruto

 Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), após vários estudos com frutas da Amazônia, concluíram que as mesmas podem contribuir para compor uma alimentação adequada em fibra alimentar e com baixa densidade energética.

 

 As frutas analisadas foram: o abiu (Pouteria caimito), o bacuri (Platonia insignis), a carambola (Averrhoa carambola), o ingá-cipó (Ingá edulis), o mapati (Pouroma cecropeaefolia) e o Cajá (Spondias mombim).

 

 Dentre as frutas estudadas, o taperebá, também conhecido como cajá, apresentou o maior teor de fibra alimentar (4,65 gramas para cada 100 gramas da fruta), sendo considerado um valor alto quando comprados com outros frutos hipocalóricos como o abacaxi (1 grama) e a manga (2,6 gramas). O mapati, uma espécie de uva da Amazônia, apresentou o menor teor de fibra (0,84 gramas para cada 100 gramas da fruta).

 

 Conforme o pesquisador relata, os resultados apontam que os frutos analisados podem ser considerados hipocalóricos por apresentarem baixos teores energéticos. “Isso se associa ao fato de possuírem baixo teor de gordura e alta quantidade de água”, explicou o pesquisador.

 

 As fibras alimentares são substâncias filamentosas curtas ou longas, derivadas de polissacarídeos formadores das moléculas de celulose, que está presente, principalmente, nos vegetais e atua na formação da parede celular das plantas.

 

 Quando digerimos vegetais (folhas, legumes, frutas) nosso organismo não digere a celulose, porém, é muito importante para o bom funcionamento dos intestinos e composição do bolo fecal.

 

 O estudo, que foi publicado na revista Food and Nutrition Sciences, foi realizado pelos pesquisadores Jaime Paiva Lopes Aguiar e Francisca das Chagas do Amaral Souza, do Laboratório de Físico-Química de Alimentos, vinculado à Coordenação de Sociedade, Meio Ambiente e Saúde (CSAS/Inpa).

 

 

 Rico em Fibras solúveis:

 

 Aguiar revela que estudos recentes têm demonstrado que dietas ricas em fibras protegem contra a obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de câncer. “A utilização de fibra alimentar, associada a outros dietéticos, pode contribuir com o tratamento de algumas doenças”, diz o pesquisador.

 

 A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo diário de 25 a 30 gramas de fibras para adultos, o que equivale a duas colheres de sopas. O pesquisador explica que as fibras alimentares são classificadas conforme a sua solubilidade em água, em fibras solúveis e insolúveis.

 

 Ele explica ainda que as fibras solúveis são compostos orgânicos que se dissolvem na água e possuem funções específicas no organismo humano como: prolongar o tempo de trânsito intestinal do alimento, retardar o esvaziamento gástrico, diminuição da glicemia (concentração de açúcar no sangue) e na redução dos níveis de colesterol “ruim” (gordura) sanguíneo.

 

 Já as fibras insolúveis, o pesquisador explica que são aquelas que não se dissolvem nem mesmo durante a mastigação e possuem como principais funções diminuir o tempo de trânsito intestinal, aumentar o bolo fecal e auxiliar na redução da ingestão calórica, pois oferecem alto poder de saciedade.

 

 Para o pesquisador, no Brasil, são poucas as Tabelas de Composição de Alimentos disponíveis, no que se refere à fibra alimentar. Dentre eles, Aguiar destaca a Tabela de Menezes & Lajolo (2000) e Mendez et al. (1995). No Amazonas, os trabalhos disponíveis sobre a composição de fibras nos alimentos são do próprio pesquisador (2010).